Fazer um Cruzeiro na Amazônia a bordo do Iberostar Grand Amazon foi a solução que eu encontrei para conhecer um cenário de selva de uma maneira mais confortável e controlada. Afinal, sofro de herpetofobia, um medo crônico que se manifesta em ambientes mais “naturais”.

 

Talvez o termo “herpetofobia” lhe soe muito estanho. Aliás, tenho que confessar que até hoje eu não conhecia esta nomenclatura, que pesquisei a fim de explicar os motivos da minha escolha de viagem. Eu tenho um medo irracional de lagartos de todos os tipos e tamanhos.

Apesar do medo, eu morria de vontade de conhecer a Selva Amazônica. Entretanto, só de pensar na possibilidade de ter alguma exposição a tais répteis, eu já me arrepiava toda.

De modo que quando descobri que havia um meio de driblar o meu problema, não pensei duas vezes. E fazer um Cruzeiro na Amazônia acabou sendo uma das viagens mais incríveis que eu já fiz na vida!

Além disso, por uma ironia do destino, não vi um único exemplar durante toda a viagem. Fato que faz com que ela seja lembrada com mais alegria ainda!

 

Uma viagem e dois destinos

 

A viagem ao Amazonas teve duas abordagens completamente distintas. A primeira, conhecer a riqueza cultural e histórica da capital Manaus. A segunda, conhecer as belezas naturais da Selva Amazônica.

De modo que dividi a viagem para explorar a capital amazonense no final de semana anterior e posterior ao Cruzeiro na Amazônia.

 

 

Assim, eu e meu marido conseguimos explorar um pouco da cidade que já foi considerada a Paris dos Trópicos e da maior floresta tropical do mundo.

Foram oito noites ao todo, divididas igualmente: metade delas em Manaus e a outra, a bordo do “hotel flutuante”.

 

Iberostar Grand Amazon : o que esperar do navio?

 

O hotel-navio Iberostar Grand Amazon, inaugurado em 2005, foi construído exclusivamente para operar a rota amazônica e possui apenas dois roteiros distintos, mas que podem ser combinados.

A embarcação possui apenas 75 cabines, sendo 73 delas duplas e 2 royal suítes.

 

Cruzeiro na Amazônia com o Iberostar Grand Amazon.

 

Com capacidade para até 150 passageiros e até 65 tripulantes, o Iberostar Grand Amazon é um navio pequeno, quando comparado aos navios de grandes empresas que navegam pelo litoral brasileiro, por exemplo. Contudo, é um navio bem equipado e bastante confortável.

 

Cruzeiro na Amazônia: embarcação para 150 passageiros.

 

Naturalmente que para quem está acostumado a viajar em navios com capacidade para mais de três mil passageiros, por exemplo, a embarcação vai deixar a desejar.

Por outro lado, aqueles problemas típicos de embarcações de grande porte, também não irão existir.

 

As áreas comuns do Iberostar Grand Amazon

 

O navio disponibiliza aos passageiros duas piscinas e uma jaccuzzi ao ar livre, além de um bar e um lounge confortável para relaxar, no deck superior.

 

Cruzeiro na Amazônia: deck ao ar livre do Iberostar Grand Amazon.

 

Além disso, há uma academia e um spa, com serviços de massagem a um custo adicional.

 

 

Há um único restaurante com apenas um turno de jantar, mas com conforto e espaço para receber bem todos os passageiros.

 

 

Há, também, um pequeno teatro que serve tanto de ponto de encontro quanto para espetáculos e palestras durante o roteiro.

 

As cabines

 

Curiosamente, as cabines do Iberostar Grand Amazon são bem amplas, quando comparadas às similares dos grandes navios de passageiros.

Acredite, eu já fiz mais de 10 cruzeiros em navios de grande porte e a cabine que ocupei neste Cruzeiro na Amazônia foi, de longe, a maior de todas.

 

 

Todas as cabines duplas possuem varandas individuais e as amenidades para propiciar conforto durante a navegação: ar-condicionado split, TV, frigobar, cama confortável, banheiro bem equipado etc.

 

As Royal Suítes

 

Fiquei muito curiosa a respeito das duas Royal Suítes e pedi para conhecer, pois uma delas estava desocupada.

Basicamente, a diferença, além da localização (já que ambas encontram-se na parte da frente do navio), é que elas oferecem muito mais conforto aos ocupantes, pois possuem uma antessala com um sofá bem aconchegante e uma mesa de jantar.

 

 

Além disso, a varanda é bem maior, com espaço para duas espreguiçadeiras. E, finalmente, o amplo banheiro, tem uma banheira de hidromassagem, além do habitual chuveiro.

Confesso que fiquei tentada a pedir um upgrade de cabine, pois a diferença de preço nem era tão exorbitante assim.

Mas, no fim, teria sido besteira, já que o tempo dentro do navio acabou sendo curto, com tantas atividades incluídas no roteiro.

 

 

Roteiros de Cruzeiro na Amazônia

 

O roteiro de 3 dias do Cruzeiro na Amazônia começa sempre às sextas-feiras e tem como itinerário o Rio Solimões.

Ao passo que o roteiro de 4 dias, inicia-se sempre às segundas-feiras e tem como trajeto, o Rio Negro.

Dependendo da sua disponibilidade, você pode pode optar por um dos dois, ou combinar os roteiros, permanecendo 7 noites no navio.

Infelizmente, eu precisei optar apenas por um dos itinerários, pois o meu marido só podia tirar uma semana de férias. Contudo, adoraria ter feito o pacote completo, incluindo o Rio Solimões.

 

Cruzeiro na Amazônia: expedições com lanchas rápidas.

 

Cruzeiro na Amazônia: atividades e tours

 

Uma grande vantagem do Cruzeiro da Iberostar Grand Amazon é que, por ser all-inclusive, você já tem todas as atividades organizadas  para cada dia.

De maneira que, todos os dias, há pelo menos duas atividades externas, mais alguma programação de entretenimento dentro do navio.

As atividades são bem diferenciadas e apropriadas a todas as idades e tipos de condicionamento físico.

Além disso, por se tratar de um produto de valor mais elevado e com menos “perrengues”, o Cruzeiro na Amazônia acaba atraindo um público menos jovem.

Afinal, a galera com mais disposição (ou menos grana – ou tudo junto e misturado) acaba optando por um turismo mais “raiz”.

Eu não diria que se trata de um cruzeiro da terceira idade, não. Contudo, acaba sendo um roteiro que atrai mais o público adulto e casais mais maduros e sem crianças. Até porquê  a idade mínima exigida é de 8 anos.

 

Roteiro do Cruzeiro de 4 dias na Amazônia

 

Dia 1 – O embarque

 

Apesar de a partida do navio estar prevista para às 18:00, o check-in já estava disponível a partir de 15:00.

De modo que aproveitamos para embarcar o mais cedo possível e já começar a desfrutar da experiência. O trâmite foi bem descomplicado e, rapidamente, já estávamos com tudo acomodado na cabine.

Logicamente, que conferir o deck da piscina com vista para o porto de Manaus acompanhados de um bom drink foi a nossa prioridade.

Entre as atividades propostas pelo navio, estavam a apresentação dos tripulantes e das normas de segurança, assim como um coquetel de boas-vindas no deck da piscina.

Finalmente, um pôr do sol ao som de música clássica marcou nossa partida do Porto Fluvial de Manaus.

 

Cruzeiro na Amazônia: por do sol no Rio Negro.

 

Dia 2 – Navegação pelo Rio Negro e expedições amazônicas

 

Na minha opinião, este foi o dia de maior imersão na Floresta Amazônica. Acordamos às 6:00 da manhã, pois às 8:00 sairíamos para uma caminhada na região do Igarapé de Jaraquí.

Acompanhados do guia Samir, que foi nos explicando tudo sobre a fauna e a flora da região, caminhamos cerca de 2.3km em meio à selva.

 

Cruzeiro na Amazônia: caminhada na selva.

 

A princípio, eu estava bem apreensiva, com medo de me deparar com lagartos ao longo da trilha. Contudo, fui ganhando confiança e consegui aproveitar a nossa expedição.

 

Cruzeiro na Amazônia: caminhada na selva.

 

Na verdade, foi uma caminhada bem tranquila, sem desafios e – para minha surpresa – sem uma picada de mosquito.

 

 

Voltamos ao navio por volta de 11:00 e tivemos uma palestra de introdução ao ecossistema amazônico, seguida de um almoço.

À tarde, visitamos a ponte de comando, onde tivemos uma explanação – bem interessante – sobre os detalhes técnicos da embarcação.

Nosso tour da tarde consistiu em um passeio de lancha pelo Arquipélago das Anavilhanas, o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. O primeiro, três vezes maior, também se encontra no Rio Negro.

Não descemos da embarcação, mas pudemos observar várias espécies de pássaros, dois filhotes de jacaré e um de sucuri, ou como é popularmente conhecida, um filhote de Anaconda. Foi, de fato, um passeio bem empolgante!

 

Dia 3 – Visita à uma comunidade indígena, pesca de piranha e focagem de jacarés

 

Um Cruzeiro na Amazônia não está completo sem uma visita à uma autêntica comunidade indígena, certo?

E, definitivamente, conhecer a Comunidade Três Unidos Kambeba foi um dos pontos altos da viagem.

Fomos recepcionados pelos habitantes da aldeia com danças e o Hino Nacional Brasileiro cantado na língua local.

Depois houve uma apresentação feita pelo cacique da aldeia, que explanou a respeito das atividades desenvolvidas por lá.

O mais interessante de tudo foi constatar que, apesar de manter suas tradições, os índios Kambeba têm uma estrutura excelente, que conta com posto médico, escola, um mercadinho, uma biblioteca e até uma pequena pousada para receber turistas.

 

 

Fiquei, realmente, muito impressionada com a organização e o desenvolvimento da comunidade ribeirinha.

 

Cruzeiro na Amazônia: visita à tribo Kambeba.

 

Fiquei, também, extremamente comovida com a hospitalidade com que fomos recebidos e e com a harmonia em que eles vivem.

O passeio da tarde foi a pesca de piranhas. Honestamente, uma atividade que não é para mim. Não consigo ver graça na atividade.

 

Cruzeiro na Amazônia: pescaria de piranhas.

 

Alternativamente, o ponto alto da minha tarde foi assistir ao pôr do sol do sossego da varanda da minha cabine.

A focagem de jacarés também foi outra decepção, pois apesar dos esforços do guia, os jacarés não estavam muito a fim de dar as caras. De modo que a observação foi quase nula.

Ainda assim, foi interessante saber que estávamos em algum ponto do Rio Negro, na escuridão e em meio aos sons noturnos da selva.

A presença de um grupo de macaquinhos, super fofos e que só faltaram entrar no barco, certamente, agregou um valor enorme à experiência!

 

 

Dia 4 – Nascer do sol no Rio Negro e visita ao Museu do Seringal

 

Uma coisa é certa: um Cruzeiro na Amazônia vai exigir que você acorde cedo para aproveitar o que a natureza tem a oferecer.

De modo que o nosso dia começou às 5:00 da manhã, pois o nascer do sol não espera por ninguém.

Ao chegar à ponte de embarque da lancha que nos levaria a um ponto estratégico do rio, muita gente desistiu de embarcar. Afinal, a previsão era chuva.

 

Cruzeiro na Amazônia: nascer do sol no Rio Negro.

 

Resolvemos encarar o mau tempo mesmo assim e acabou sendo a melhor escolha.

De fato, o sol não deu o ar da graça. Em compensação, passamos por um animado grupo de macacos de cheiro, que não tiveram o menor constrangimento em vir nos dar as boas-vindas.

Eles vieram, aos bandos, para dentro da embarcação, para a alegria dos turistas. Foi a coisa mais linda do mundo e, definitivamente, valeu acordar cedo e encarar a boat ride!

 

À tarde, visitamos o Museu do Seringal Vila Paraíso. Foi uma visita bem interessante e instrutiva.

Além disso, a história do lugar também é bastante peculiar: tudo começou como um set de filmagem para uma série da TV Globo e acabou se transformando em um museu.

 

Cruzeiro na Amazônia: Museu do Seringal.

 

Dia 5 – O Encontro das águas dos rios Negro e Solimões

 

O último dia do Cruzeiro na Amazônia começou bem cedo, pois levantamos às 6:00 da manhã, para conferir o encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

É muito interessante observar o fenômeno que faz com que ambos sigam lado a lado por cerca de seis quilômetros, sem que suas águas se misturem.

 

Cruzeiro na Amazônia: encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

 

Enquanto o Solimões tem águas barrentas, o Rio Negro – como o próprio nome sugere – tem águas muito escuras.

Depois que os dois rios se juntam, passam a receber o nome de Rio Amazonas.

Como o desembarque estava previsto para às 8:30 da manhã, o tempo restante foi o suficiente só para tomar um belo café da manhã de despedida e arrumar as coisas para voltar à terra firme.

 

Cruzeiro na Amazônia: informações práticas

 

Muitas dúvidas surgem ao se planejar um cruzeiro. Especialmente, para quem é marinheiro de primeira viagem.

Baseada nessas inseguranças, eu escrevi um post completo com todas as dicas práticas para se preparar para a experiência.

Contudo, basicamente, todos os cruzeiros têm algumas características comuns e o Cruzeiro na Amazônia não foge às regras.

Por outro lado, por se tratar de um cruzeiro fluvial e por um destino mais ecológico, certas convenções de um cruzeiro mais “pomposo” não vão existir.

Então, não se preocupe com vestimentas mais elaboradas para os jantares, por exemplo. Os passageiros vestem-se com um pouquinho mais de cuidado, mas sem a formalidade dos grandes cruzeiros.

Com relação aos itens que você vai precisar para as expedições, tenha em mente que você estará num cenário bem ecológico. Então, nada mais apropriado do que estar com a vestimenta correta: calçados e roupas confortáveis são a melhor pedida.

Eu não tive problemas com mosquitos, mas pode ter sido sorte, época do ano etc. De modo que repelente deve estar entre seus itens básicos, assim como um bom protetor solar e bonés ou chapéus.

 

Cruzeiro na Amazônia: a minha experiência

 

Honestamente, acho que ninguém volta indiferente de uma viagem à Floresta Amazônica.

Eu tinha uma expectativa enorme com relação ao destino e, ainda assim, voltei para casa encantada e absolutamente convencida de que preciso retornar para conhecer mais da imensidão que é aquele santuário, tão importante para o Brasil e para o mundo.

Os sons da selva, as cores dos diferentes tipos de vegetação, os sabores inusitados: tudo contribuiu para aguçar os cinco sentidos e para constatar como é fascinante adentrar este mundo selvagem.

Quanto ao fato de ter feito um cruzeiro, acho que foi a melhor escolha para uma primeira experiência.

Até pelo motivo de eu ter que lidar com a minha fobia de lagartos. Entretanto, para uma viagem futura, eu procuraria uma experiência mais imersiva.

É inegável que o “hotel-navio” oferece um padrão de conforto e segurança muito superiores aos que eu teria em uma acomodação ribeirinha, por exemplo.

É muito conveniente, também, explorar o Ecoturismo durante o dia e voltar para uma cabine super aconchegante na hora de dormir.

Entretanto, eu gostaria de ter tido um contato mais intenso com a natureza e com as populações ribeirinhas. Acho que faltou esta interação.

De qualquer forma, foi uma experiência inesquecível. Foi, certamente, uma viagem marcante e diferente de tudo o que eu já tinha visto e feito.

 

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Categorias: Amazonas

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