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Visitar o Japão sempre ocupou o topo da minha lista de desejos. Não só pelo país e pela cultura em si, mas porque era a realização de um sonho antigo: conhecer a terra do meu avô materno, visitar os lugares por onde minha mãe viveu e passou, talvez encontrar com pessoas que a amaram, que lhe fizeram bem… e reencontrar meu irmão, que já não via há mais de dezessete anos… todas essas razões prometiam uma viagem inesquecível!
E foi com este pensamento que embarquei com meu filho mais novo rumo à terra dos meus ancestrais em outubro de 2013, a fim de resgatar minhas raízes, rever meu irmão depois de tanto tempo, conhecer minha cunhada e minha sobrinha pessoalmente e fazer parte, mesmo que por um curto período, da rotina e da família deles…

A casa onde fomos acolhidos com tanto amor e carinho!

Esperei por anos até poder concretizar tudo isso. Morando no Brasil era inviável: filhos pequenos, muito longe, muito caro, com apenas os períodos de alta temporada disponíveis, enfim, uma lista interminável de empecilhos. Morando na Holanda, contudo, a viagem pôde ser feita pela metade do tempo e pela metade do preço. Ainda assim, foram 12 horas de voo direto de Amsterdã a Tóquio.

Adoraria ter viajado com a família completa, mas só meu caçula me acompanhou. Aproveitamos o período de Herfst Vakantie daqui (As férias de Outono)  e lá fomos nós.

Chegamos ao Narita International Airport numa manhã de sexta-feira. Meu irmão foi nos recepcionar e o nosso reencontro foi realmente lindo, como eu imaginava!

Nossa grande e primeira providência foi despachar as malas por um serviço de entrega que as deixa sãs e salvas no endereço indicado e no mesmo dia. Paguei cerca de 30 euros por essa comodidade. A princípio achei desnecessário, afinal, eram apenas duas malas médias que poderíamos levar sem problemas.

​Contudo, meu irmão explicou que é muito comum as pessoas despacharem as coisas no Japão. Às vezes, até mesmo compras feitas em uma loja, a fim de não ficar carregando peso para lá e para cá e pra facilitar a locomoção nos transportes públicos. Isso foi realmente novidade para mim…

Beleza, assim, livres, leves e soltos, pegamos um trem até Asakusa, um distrito de Tóquio, onde fica um templo budista chamado Senso-Ji. Nada de jet-leg, nada de diferença de 7 horas de fuso horário… hora de conhecer o Japão!
A região é realmente o que vemos nos filmes: uma mistura do tradicional e do moderno, tudo realmente muito bonito. Eu nem pensei em cansaço…

Passeamos pelas redondezas e para nós tudo era novidade: até de rickshaw nós andamos. O interessante é que essse não era puxado por alguém pedalando uma bicicleta, mas por um japonês legítimo, de quimono, puxando alegremente – pasme, até que bem depressa – a pequena charrete no melhor estilo Japão Antigo…

Paguei 3,000¥ (cerca de 30 dólares) por cerca de 10 minutos de ride, mas valeu a pena. Nessa hora, já comecei a ter noção de que visitar a Terra do Sol Nascente iria me custar os olhos da cara… rsrs!

No final da tarde, pegamos um outro trem até a Shibuya Station, outro distrito de Tóquio, e aí pela primeira vez pude viver uma daquelas cenas que vemos nos filmes sobre o Oriente: assim que saí da estação, vi aquela imensidão de cores, luzes, gente, aquela vibração de um lugar que parece ter alma própria! Centenas de pessoas estavam por lá, seja dirigindo-se a algum lugar, atravessando as avenidas, ou simplesmente, sentadas em bancos da praça namorando em frente à estação, ou papeando alegremente em grupos de amigos…

Em oposição a toda essa energia vibrante, lá estava a estátua do cão Hachiko, que inspirou o maravilhoso filme com Richard Gere “Para Sempre a Seu Lado”. Meu irmão sabia que eu havia assistido ao filme (e chorado todas as vezes!) e me fez essa linda surpresa.

Lógico que pouca gente iria até lá para ver uma simples estátua de um cachorro; mas há muito mais: segundo um Top Ten do que fazer em Tóquio publicado no site da Revista Time, atravessar a avenida em frente à estação e se misturar no mar humano é imperdível!
Além disso, você vai se deparar com letreiros luminosos gigantescos e lojas de todos os tipos. Inevitavelmente, vai sentir na pele o que é estar em uma cidade movimentada de verdade! Eu me senti num dos filmes da série “Fast and Furious”… aliás, uma das músicas da trilha sonora (do grupo Teriyaki Boyz) não saía da minha cabeça! Ainda lembro uns trechos:
I wonder if you know
How they live in Tokyo
If you see me than you mean it
Then you know you have to go…Fast and furious…
Claro que eu me diverti horrores com a muvuca e com meus próprios pensamentos!!! ​
Importante ressaltar que essa viagem teve um cunho emocional, afetivo. Não fui para conhecer o Japão, mas para visitar meu irmão. Gostaria de ter ido em uma época em que ele e sua família estivessem disponíveis para passear conosco, mas eles precisavam trabalhar.
Assim, procurei ficar com eles no final de semana em que chegamos e procurava voltar dos passeios a tempo de passar as noites com eles. Portanto, consegui conhecer poucos lugares turísticos. Ainda assim, nos dez dias que passei lá, pude conhecer muita coisa interessante, experimentar novos sabores, ficar encantada com um novo jeito de ser e estabelecer as minhas impressões sobre a cultura, as pessoas e o país.

Creio que precisaria ter ficado pelo menos um mês para ter uma opinião mais consistente… mas não foi possível. Tudo bem, o tempo passa e a gente se organiza de novo. Quase três anos mais tarde, e aqui estou de partida outra vez para esta terra mágica e surpreendente.

Tenho certeza de que será uma viagem maravilhosa em todos os sentidos. Fora a alegria de rever a minha família, eu agora estou mais experiente. Quando fui pela primeira vez, ainda não era blogueira. Era uma viajante curiosa e que tirava fotos muito mal, motivo pelo qual as fotos deste post estão mixurucas!…

Desta vez, estou indo com o olhar mais treinado, os sentidos mais aguçados… e sei que terei histórias melhores e mais detalhadas pra contar. Então, deixo aqui pra você o convite para me acompanhar.

Categorias: Japão

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