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Todo país que tem uma moeda que não é a nossa, um idioma absolutamente diferente e uma cultura bem distinta, exige uma certa dose de preparo ao programar uma viagem. E a Terra do Sol Nascente não poderia ser diferente. Mesmo sendo uma segunda visita, aprendi que a pesquisa é a melhor maneira de chegar do outro lado do mundo e não fazer feio. Daí que vou dividir com você o passo a passo para chegar lá triunfante…

Obtenção de visto

A primeira coisa que você deve saber ao planejar a sua viagem é que vai, sim, precisar de um visto para turista. Poucos países têm acordo de bilateralidade com o Japão (sendo a maioria deles localizada na Ásia) e o governo japonês é bem rigoroso com relação a vistos.

A obtenção do visto pode ser mais ou menos complicada, dependendo da situação da sua visita. Por exemplo: se você vai turistar por lá, vai precisar apresentar (além de todos os seus documentos e comprovantes de renda), a passagem de ida e volta e todos os comprovantes de reservas de hotéis. Além disso, terá que preencher um formulário indicando minuciosamente o seu itinerário (onde vai ficar, o que pretende ver etc).

Agora, se você vai se hospedar na casa de um amigo ou parente, a situação fica bem mais trabalhosa. Isto porque você vai ter que apresentar uma carta-convite (assinada pela pessoa em questão), assim como comprovantes de residência e de trabalho do seu anfitrião. Nas duas ocasiões em que lá estive, meu irmão teve que comparecer à prefeitura da cidade para emitir certificados, precisou enviar cópias do imposto de renda e cópias dos documentos indicando a situação legal dele no país.

Casa do meu irmão em Hiratsuka

Neste segundo caso, mesmo que você tenha comprado a própria passagem e que vá custear totalmente a sua viagem, o seu anfitrião fica responsável por você durante toda a sua permanência no país. No caso de o anfitrião custear a sua ida, o processo de obtenção de visto contará com mais exigências ainda. Tudo isso para garantir que a sua visita não resultará em uma mudança para o país.

Veja, para quem está pensando em apenas visitar o país, essas regras podem soar absurdas, mas para o governo japonês, é a única maneira de evitar que um “turista” se instale ilegalmente no país. Porém, não é preciso desanimar de uma viagem por conta de um visto rigoroso. Uma vez coletadas todas as evidências de que você vai, mesmo, turistar, a obtenção do visto é rápida e barata.

Um detalhe importante: o visto japonês padrão dá direito a uma única entrada no país. Se você pretende visitar o Japão, ir a outro país asiático e voltar para lá, vai precisar de um visto de múltiplas entradas. Informe-se bem para não correr o risco de ser barrado na imigração ao retornar ao país.

Cada caso é um caso, então, o ideal é consultar o site do consulado para obter todas as informações necessárias. No Brasil, diversas capitais possuem uma unidade consular japonesa. No meu caso, o visto foi obtido em Haia, cidade em que moro e onde está localizado o consulado japonês na Holanda. A obtenção do visto foi descomplicada e rápida: em dois dias, pude pegar meu passaporte de volta.

Conversão de moedas

Para facilitar a conversão e decidir o que era caro ou barato, eu associei o iene japonês ao dólar americano na seguinte proporção: 1000 ¥ = 10US$ (valores aproximados de outubro/2016).

​Eu tive o mesmo problema nas duas ocasiões em que visitei o Japão: encontrar um caixa eletrônico que aceitasse meus cartões para fazer a retirada de moeda local. Em várias cidades e em múltiplos pontos, meu cartão de débito (desbloqueado para uso internacional) não foi aceito. A saída foi procurar um Citibank (no meu caso) para poder fazer uma retirada, já que mesmo os bancos japoneses não forneciam o serviço.

Por conta desse problema, resolvi levar um pouco de dinheiro vivo nesta segunda visita.  Ainda assim, passei um pouco de perrengue, pois contava sacar mais no caixa eletrônico que fica na saída do terminal de desembarque e o mesmo estava com problemas. Conclusão: fiquei com pouco dinheiro e fui obrigada a trocar euros por ienes. Não foi difícil, mas sempre ocorre perda neste processo.

Imigração

Bem, nenhuma viagem para o Japão é mamão com açúcar… é longe! Mesmo saindo de Amsterdã em voo direto, foram 12 horas. Naturalmente, você vai chegar cansado(a), mas esteja preparado(a) para responder às perguntas sobre o motivo da sua visita, local da hospedagem etc.

Nesta segunda visita, não me perguntaram absolutamente nada; só verificaram o passaporte e pronto. Na primeira, contudo, tive que responder a algumas perguntas. Talvez porque meu filho estivesse comigo, não sei. Ou talvez agora tenha sido tranquilo por conta visto anterior no mesmo passaporte; nunca saberei… Então, o ideal é você levar cópia impressa das reservas de hotéis e, também, o comprovante com os detalhes do seu voo de saída do Japão.

Localização

Graças a Deus existe tecnologia e não precisamos mais ficar reféns de placas e afins! O que seria das nossas vidas sem o amigo Google Maps ou seus concorrentes??? Use e abuse deles! E não precisa nem se preocupar em gastar uma fortuna com a sua operadora de celular. No desembarque do aeroporto, você encontra uma empresa onde você pode comprar um pacote bem acessível de sistema 4G.

Eu fiz a terrível besteira de achar que não precisaria contratar o serviço (já que teria Wi-Fi na casa do meu irmão e no hotel em que ficaria hospedada). Pior decisão da viagem: na rua, não ter um Google Maps me fez muita falta e eu perdi tempo valioso tentando achar meu paradeiro ou alguma loja de conveniência onde eu pudesse usar free Wi-Fi. Honestamente? Fiz economia burra…

E aí vem outro detalhe japonês: as placas das ruas estão todas no idioma local. E, muitas vezes, quando você acessa o Google Maps, o mapa vem todo “desenhado”, sem letra ocidental alguma… Difícil não se perder um pouco… mas sem problemas: o povo japonês é extremamente solidário e solícito. Algumas pessoas chegam a ir com você parte do caminho para ensinar a chegar ao seu destino. Uns amores!

Uma dica valiosa é: saiba qual saída da estação você deve pegar… já é meio caminho andado, acredite! Algumas são gigantescas e com múltiplas saídas e acessos a outros meios de transporte. Uma coisa do outro mundo… Hahaha! Mas é muito legal!

Deslocamento

Na minha primeira viagem (2013), eu ainda não era blogueira e não tinha muito o hábito de preparar as viagens no requinte dos detalhes e ia, como a maioria dos turistas, aprendendo aos poucos e à medida em que a necessidade surgia. Um grande problema que eu tive foi entender como se dava o pagamento do transporte público e ter dinheiro vivo para pagar ônibus (transporte mais usado na cidade em que meu irmão mora).

Desta vez, fiz a lição de casa direitinho. Fiquei conhecendo o trabalho da brasileira Thais Fioruci, que mora em Yokohama e que escreve o blog Perdida no Japão.  Lendo os posts, encontrei dicas valiosas, como a possibilidade de usar cartões de transporte que os locais usam. E isso mudou a minha vida!

Era muito simples fazer a recarga e eu não me preocupava com os trechos percorridos e as respectivas tarifas. Bastava fazer o check-in no início do trajeto e o check-out ao chegar ao destino. Para saber detalhes de como usar o sistema de transportes, consulte o blog da minha colega.  

Deslocamento aeroporto – centro de Tóquio

Há várias maneiras de se deslocar do aeroporto internacional até a estação central (Tokyo Station), de onde se pega trens para tudo quanto é destino. Já usei vários meios: Narita Express (o mais conveniente e, também, o mais caro), trem comum e, desta vez, peguei um ônibus.

Vantagem: o preço (apenas o equivalente a 10 dólares). Desvantagem: leva mais de uma hora até a Tokyo Station e o caminho é quase todo feito por pistas rápidas e estradas, ou seja, não tem nada a ser visto. Eu tinha a esperança de fazer um mini city tour baratinho, mas caí do cavalo… ainda assim, correu tudo bem. O ônibus era bem confortável e foi descomplicado pegar, depois, o trem para Hiratsuka, que era meu destino final.

Envio de bagagem por serviço de entrega

É muito comum no Japão despachar a bagagem para a residência ou hotel a fim de não ter que se deslocar com peso excessivo. Até mesmo compras feitas em lojas são facilmente despachadas, usando-se o serviço que se encontra disponível nas estações de trem.

Usei o serviço duas vezes e foi super tranquilo. Logo no saguão do desembarque há um guichê onde o serviço é oferecido. Você pode, inclusive, marcar um horário aproximado para que a entrega seja feita, evitando desencontros caso você não vá direto ao seu destino.​O serviço não é caro e você evita de subir e descer escadas com malas, ou de entrar em um vagão de metrô abarrotado com a bagagem. Acredite: em determinados horários, até uma bolsa de mão é um problema!

Alimentação

Este é um tópico extenso e que merece post próprio, mas algo que posso adiantar é que o Japão é um lugar peculiar, também, neste sentido. É lógico que existem as cadeias ocidentais de fast food e afins, mas a grande maioria dos restaurantes é de culinária asiática, mesmo.

Em Tóquio, acha-se Starbucks em todo o canto, mas outras franquias não são tão numerosas. Para quem não quer arriscar a comida japonesa, acha-se um Mc Donald’s aqui, um Subway ali, mas não tão facilmente. Pelo menos, esta foi a minha impressão. Restaurantes internacionais também não vi muitos e percorri bastante as áreas mais movimentadas.

O que se acha em todo lugar e aos montes, são aqueles restaurantes bem simples de lámen com preços bem acessíveis e menu “descrito” em fotos ou pratos “de mentirinha”. Quase sempre não dá vontade de experimentar… mas, você está lá. Então, faz uma forcinha e aí vê verá que o gosto é bem melhor do que a cara… e daí encara muitas vezes! Hehehe… Aliás, a refeição é tão popular que até ganhou um museu em Yokohama (um passeio que você poderá ler, em breve, em outro post).

Em tempo: para quem não conhece ou não se lembra, lámen é aquele macarrãozinho das nossas primeiras tentativas culinárias – o controverso/amado/odiado miojo! Eu adoro, mas há defensores ferrenhos da abolição da “iguaria” da face da Terra…


E há, ainda, os requintados restaurantes de sushis e sashimis que, confesso, passei longe… não porque não goste. Amo de paixão… mas os preços são bem salgados para uma blogueira e não tem muita graça entrar em um lugar desses viajando solo.

Hospedagem

Este é um item que merece uma atenção especial no planejamento da viagem. Primeiro, porque você precisa apresentar a evidência de ter feito as reservas ao solicitar seu visto de turista. Segundo, porque hospedagem no Japão não costuma ser barata. Eu reservei um hotel na região de Shinjuku, porque já conhecia, sabia que era legal, movimentada e queria fácil acesso para os diferentes distritos da cidade.

Escolhi o Shinjuku East Hotel com base na relação custo/benefício, sem café da manhã (para economizar mesmo) e não me arrependi. O quarto era amplo e limpo, o pessoal da recepção foi super solícito. Além disso, estava localizado bem pertinho de uma estação de metrô. Tudo nos conformes.

A única ressalva que faço (e que eu já sabia) é o cheiro de cigarro, pois o hotel aceita fumantes (e muita gente fuma no Japão!). Eu não fumo, fiquei um pouco incomodada com isso na chegada mas, depois, desencanei e nem prestava atenção…

Se você também quiser se hospedar lá, pode fazer a sua reserva usando o meu parceiro Booking.com que, como você já conhece, é um site altamente confiável. Além do mais, fazendo a sua reserva através do Turista FullTime, você sabe que pode contar com toda a ajuda e as dicas que precisar.

Você não pagará um centavo a mais por isso, já que os preços permanecem iguais. A única diferença é que, fazendo a reserva por aqui, você ajudará a cobrir as despesas das próximas viagens desta blogueira que trabalha pensando, também, em você!

Economia durante a viagem

Quem viaja sabe que pequenas despesas ao longo do dia, podem ocasionar um grande gasto ao final do período. Simples atitudes podem contar para economizar em uma viagem ao Japão (e que servem, também, para qualquer destino). Um café da manhã em hotel pode gerar um custo extra de 15 a 20 dólares por dia.

Em Tóquio há inúmeras lojas de conveniência com muitas opções para refeições rápidas e com um custo de menos de um terço do valor de um café da manhã em hotel. Foi o que fiz durante a minha estadia por lá.

Além disso, a compra de ingressos combinados e de cartão de transporte público também são determinantes para gastar menos. No Japão, você pode adquirir os cartões Suica ou Pasmo, que podem ser usados em todos os meios de transporte público e ainda para pagar despesas nas lojas de conveniência e até em máquinas de venda em estações ou nas ruas da cidade.

Muito prático, pois você não precisa lidar com moedas, prestar atenção no troco etc. Só vi vantagens no uso desses cartões. E você pode devolvê-los no final, pegando de volta o valor desembolsado para adquiri-los (cerca de 5 dólares por cartão), assim como algum saldo que ainda esteja nele.

Bebidas alcoólicas são bem mais caras do que refrigerantes. Se você quiser tomar uma cerveja japonesa (as marcas mais famosas são a Kirin e a Asahi), pode comprá-las em uma “combini” (como eles chamam as lojas de conveniência) e aproveitar os parques espalhados pela cidade. Uma diversão bem barata!

​E aqui eu vou ter que fugir um pouquinho do tema deste post, pois não resisto! Como boa linguista que sou, presto atenção aos detalhes da língua. O povo japonês adora incorporar palavras inglesas ao seu idioma. “Combini” é uma abreviação de “convenience store”… Aí você deve estar se perguntando: então por que “combini” com “B”??? Simples: o japonês não pronuncia o “V”. Legal, né?!

Bom, procurei elaborar este post de maneira bem abrangente, mas tratando exclusivamente dos aspectos práticos da viagem. Naturalmente, que tenho muito a dividir a respeito dos lugares visitados e das inúmeras curiosidades que fui coletando ao longo da visita. De modo que, pela grandeza de possibilidades e particularidades japonesas, achei que seria mais interessante e adequado tratar cada ponto de interesse isoladamente, trazendo assim mais detalhes para você. Então, aguarde, que muita novidade ainda vai surgir por aqui!

Categorias: Japão

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