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Quando comecei a fazer o planejamento para conhecer a Rota Romântica em apenas quatro dias, tinha dois objetivos claros. O primeiro, conhecer o máximo de lugares entre Munique  e Füssen, última cidade do percurso. O segundo, conhecer o famoso Castelo de Neuschwanstein, obra-prima que inspirou Walt Disney.

Concluir a rota na totalidade, seria possível, mas sairia do meu conceito de viagem.  Não gosto de marcar um dado ponto turístico. Prefiro desfrutá-lo com calma, saboreando cada detalhe. Ainda mais por ser uma viagem a dois: meu marido foi comigo.

A Rota Romântica, estrada que liga Würzburg a Füssen, tem 350 quilômetros de extensão e ficou famosa pelas cidades pitorescas e seus castelos. Na Idade Média, era uma rota importante que ligava o centro da Alemanha ao Sul. Hoje em dia, é um roteiro indicado para pessoas que desejam conciliar Cultura e História com cenários naturais deslumbrantes.

Como chegar a Munique?

O voo entre  Amsterdã e  Munique dura uma hora e meia. Se tivéssemos optado por carro, percorreríamos cerca de 850 quilômetros (partindo de Haia). Precisaríamos, na melhor das hipóteses e sem paradas, de cerca de 8 horas. Então, para ganhar tempo, voar acabou sendo uma ótima opção. Principalmente porque as tarifas aéreas para esse trecho costumam ser baratas.

Um fato curioso: do momento em que aterrissamos em Munich e entramos no carro alugado para deixar o aeroporto passaram-se apenas 30 minutos. Em suma: rapidez e eficiência totais!

A breve parada em Munique

Ficamos hospedados por apenas uma noite no Ibis München City. Como quase todos os hotéis da rede, simples, honesto e perto do centro. Para fins de localização, este ficava a 700 metros da Karlplatz. Não gostei das redondezas, pois as ruas eram um pouco sujas e havia muitos mendigos. Ainda assim , não senti insegurança alguma.

Havia muitos turistas no centro, que apesar de ser um pouco tumultuado, era fácil para se locomover e encontrar os pontos de interesse. Nosso foco não era, entretanto, conhecer Munique. Apenas ter uma breve noção da cidade, pernoitar e no dia seguinte seguir nosso rumo. Ainda bem: o tempo não colaborou e foi bem chato perambular sob chuva (às vezes bem insistente!) pra lá e pra cá…

Resolvemos parar para comer alguma coisa no Scheiner Weisse e concluímos que foi uma boa escolha. Preço bom e atendimento cordial num ambiente agradável e tipicamente alemão.  Aproveitamos para conferir a cerveja local: eu tomei a de número 1 e meu marido, a de número 7.

E esta foi a nossa pequena e breve experiência em Munique, uma cidade com tanto a oferecer. Voltaria lá na Oktoberfest e, com certeza, usaria uma daquelas vestimentas típicas que vi em muitas lojas de Munique e da Baviera. 

Uma mudança de planos…

Eu tenho uma rotina: por mais que eu colete informações antes de sair de casa, gosto de chegar ao hotel à noite e pesquisar mais alguma coisa sobre o lugar onde estou. Normalmente é algo que tenha me chamado a atenção ou me deixado curiosa ao longo do dia. Eu já havia lido um pouco sobre Ludwig II (rei que foi responsável pela idealização do castelo de Neuschwanstein). Só não sabia que havia outro palácio dele perto de Munique! E foi aí que nossa viagem tomou outros rumos…

… e um desvio na rota!

Acordei empolgadíssima em fazer este “pequeno” desvio de rota. Afinal, segundo a Internet, apenas 60km nos separariam do local. Ao colocarmos a distância no GPS, entretanto, percebemos que seriam 100km, com duração prevista de 1h30min.

Pensamos: “nada demais”. E lá fomos nós sentido Strazburg até a cidade de Prien de Chiemsee. É de lá que sai o barco para a ilhota onde fica o Palácio de Herrenchiemsee. Deu um pouco de trabalho para achar o local do embarque, mas fazer o trajeto percorrendo o maior lago da região da Baviera foi, certamente, muito interessante.

O Palácio de Herrenchiemsee

A visita ao palácio custa 8 euros (valores de 2014) e dura apenas 30 minutos. Ainda assim, é bem interessante e instrutiva, já que conta com um guia que vai explicando detalhes e fatos históricos. Apesar de ser possível percorrer apenas poucos cômodos, é um verdadeiro deleite para os olhos. Tudo é muito bonito e suntuoso e nem poderia ser menos, afinal foi inspirado no Palácio de Versailles…

Um detalhe bem curioso a respeito de Ludwig II, é que ele era um profundo admirador do Rei Luís XIV da França, o Rei Sol, que morrera há mais de 130 anos antes. Ainda assim, ele se intitulava o Rei Lua, em oposição e homenagem ao falecido monarca. Ele também era um devoto absoluto do compositor Richard Wagner, com quem chegou a conviver e custear muitos projetos. Daí as características arquitetônicas e decorativas das construções que ele idealizou.

Após a visita, pegamos o barco de volta ao Stock Pier – onde deixáramos o carro.  Primeira travessura do dia: comer um delicioso appelstrudel (torta de maçã típica alemã) e waffle com sorvete e calda de chocolate.

Depois, seguimos para Füssen, que seria nosso ponto de chegada pelos próximos três dias…

Mais uma vez, percurso não tão longo (apenas 158km), mas lento. É bom ter em mente que esta é uma região de montanha e que muitos trechos devem ser percorridos com cautela. Outros, são tão bucólicos, com aquela vegetação típica de lugares frios e lindas casinhas,  que você quer mais é ir devagar mesmo, para poder aproveitar o show de paisagem. Levamos 2 horas e meia sem paradas para realizar o trajeto.

A Pacata Füssen

Eu normalmente não sou de gastar muito com hotéis e sempre procuro conciliar bom preço, serviço justo e localização (quanto mais perto das atrações, melhor). Desta vez, por se tratar de uma viagem “romântica”, procurei por uma hospedagem mais charmosa, mais voltada à natureza, mais tranquila. Acho que cumpri o propósito ao escolher o Vital Hotel Wiedermann.

Muito bem localizado, a cerca de apenas 10 minutos de caminhada do centrinho de Füssen – que é pequenininha – e bem no meio de uma área verde com rio e montanhas. Região perfeita para trekking, biking e running.

Inclusive vi muitas pessoas realizando essas atividades. Nós mesmos saímos para correr duas vezes. Haja fôlego nas subidas, mas o visual compensa!

Mas voltando ao hotel…

O preço que pagamos foi bem razoável para um quarto amplo e com varanda com vista para uma grande área verde. O café da manhã, apesar de modesto, era bem satisfatório e a plaquinha com o nosso sobrenome nos aguardando todos os dias na mesma mesa deu um toque de aconchego e familiaridade.

Outro detalhe que não usamos, mas que notei: o staff do hotel armazenava qualquer produto que os hóspedes decidissem levar para complementar o café da manhã de acordo com seus hábitos e preferências. A cada manhã, esses produtos estavam nas respectivas mesas, aguardando seus donos. Um toque simples, mas que demonstra cuidado e atenção por parte da administração do hotel. Isto sem falar da gentileza e educação com que nos atenderam por toda a estadia.

Bem, se você também quiser se hospedar neste hotel, ou em qualquer outro pelo caminho, sabe que sempre poderá contar com as excelentes ofertas do Booking.com, um site em que você pode confiar. Fazendo a reserva  com o Turista FullTime, você ajuda na manutenção do blog e não paga um centavinho a mais por isso. Então, se você vai percorrer a Rota Romântica, já aproveite e faça suas reservas por aqui mesmo… a blogueira agradece!

Os Castelos de Neuschwantein e Hohenschangaw

​As duas construções ficam na mesma área e é possível chegar de carro e estacionar em uma área reservada aos turistas pelo valor de 5 euros (valores de maio de 2014). Muito próximo a esse local, é possível pegar um ônibus ou charretes para os castelos.

O Hohenschangaw é mais próximo, mas o de Neuschwanstein exige uma subida maior. Contudo, é possível chegar a qualquer um dos dois a pé. Tudo depende da disposição e tempo de cada um. Compramos os ingressos na bilheteria que ficava bem próxima ao estacionamento e, depois, seguimos  a pé até o Hohenschangaw . Percurso curto e fácil.

As visitas a ambos os castelos são guiadas e com horário marcado. É preciso estar no local exato uns 5 minutos antes para organizar a entrada. A visita ao Hohenschangaw dura cerca de 35 minutos e é bem interessante.

O trecho que leva até Castelo de Neuschwanstein é íngreme, porém asfaltado. A estimativa de subida é de 40 minutos. Como não tínhamos muito tempo entre uma visita e outra, resolvemos não arriscar a caminhada e pegamos um ônibus, que não chega até o castelo, mas que deixa os visitantes na Mary’s Bridge.

Aliás, a ponte é o local perfeito para tirar fotos de uma paisagem exuberante! Caiu uma garoa fina bem na hora que estávamos no local, mas nem isso tirou o charme do passeio…

O castelo de Neuschwanstein

Correndo o risco de ser óbvia e redundante, falarei um pouco a respeito desta maravilha arquitetônica que tanta fantasia inspira crianças e até muitos adultos.

Quem já assistiu a algum filme ou desenho da Disney, sabe do que eu estou falando. Quem não conhece aquele castelo que aparece em toda abertura acompanhado daquela melodia que nos encanta há gerações? Pois muito bem, se eu já havia chorado ao avistar em Orlando o Castelo da Bela Adormecida… imagine a minha emoção diante da obra-prima de Ludwig II…

Bom, sentimentalismos à parte, a ideia do Rei Lua é não só um imenso legado na História da Arte e Arquitetura mundiais, como é também uma indiscutível fonte de renda e empregos para a população da Baviera.

Para dar uma dimensão de sua contribuição ao progresso da região, o castelo recebe mais de 6000 visitantes ao dia. São cerca de 3 milhões ao ano. Não é de causar espanto que Ludwig II seja até hoje muito admirado pelos locais, principalmente por seu caráter visionário.

Eu que antes da viagem sabia pouquíssimo sobre ele, voltei muito empolgada em saber as minúcias de sua vida. Esse lado da viagem é o que mais me fascina: o efeito “colateral” que provoca em mim.

 O tour pelo interior do Castelo de Neuschwanstein

A visita aos interiores do castelo foi muito organizada e ter um guia interessado e dinâmico conosco fez com que a experiência ficasse mais completa. Um único porém: o tour guiado só oferece opções em Inglês ou Alemão. Não há áudio disponível em outras línguas. Então, quem não domina o idioma, acaba perdendo muita coisa interessante. Mesmo assim, as imagens falam mais do que mil palavras e a visita vale a pena, com ou sem “áudio”.

O mais impressionante foi saber que uma obra tão cara e demorada foi tão pouco aproveitada pelo idealizador do projeto, que nunca chegou a vê-la acabada (e nem ela foi, de fato, concluída) e que ele só a ocupou por menos de 6 meses.

Ainda assim, o legado para as gerações futuras é imensurável, já que o castelo é de uma beleza ímpar. Isto sem falar no local onde está situado, simplesmente encantador. Adorei cada minuto da visita, mas gostaria de ter percorrido os aposentos com mais calma, já que o grupo era grande e o tempo, muito curto.

O Palácio de Linderhof

Acordamos com um dia frio e chuvoso mas, como era o último dia inteiro da viagem, não podíamos nos dar ao luxo de esperar o tempo melhorar. Assim, lá fomos nós rumo à cidade de Ettal, onde localiza-se o Palácio de Linderhof.

Dirigimos por 45km em uma estrada de mão dupla (B179) margeando o Plansee, um lindo lago no Tyrol, e cruzando as fronteiras entre Alemanha e Áustria. A paisagem maravilhosa por todo o caminho inspirou uma vontade enorme de saber como ficaria aquele cenário em um lindo dia de sol.

Chegamos ao local por volta de 11:00 da manhã e só saímos de lá, exaustos e famintos, às 16:30. Uma visita inesquecível. ​O palácio em si é pequeno, mas muito bonito. Os arredores é que dão um show à parte.

Há lindos jardins espalhados pela propriedade…

As trilhas, com vistas para as montanhas, são capazes de agradar a todos os gostos e tipos de preparo físico.

Esta característica foi marcante nesta viagem: a possiblidade de aliar cultura e contato com a natureza. Eu tinha ideia de que seria assim, mas não na intensidade com que foi. Definitivamente esta parte da Alemanha é indicada para quem gosta de estar ao ar livre e de fazer longas caminhadas em meio ao verde e ao silêncio.

Créditos extras para uma viagem inesquecível…

Planejamento é importante, mas espaço para improviso também pode ser bem valioso. Como mencionei no início deste relato, havia feito uma pesquisa das cidades que gostaria de visitar, assim como havia esquematizado os deslocamentos e as distâncias. Mudei quase tudo durante a viagem e não me arrependi.

Confesso que acabei percorrendo a parte da rota a que me propus, sem ter de fato conhecido as cidades mencionadas. Isto não significa, porém, que não tenha sido uma jornada agradável e bem sucedida. Afinal, a rota em si já é muito bonita.

É possível perceber muito do estilo de vida das pessoas da região e algumas paradas rápidas em cidadezinhas ao longo do roteiro confirmaram o charme e a quietude da região.

Eu adoraria voltar à Baviera sem pressa e sem rumo a fim de desfrutar das paisagens deslumbrantes que vi por lá. Penso que qualquer época do ano terá seu encanto.
Seja qual for o seu interesse, tenho certeza de que será uma visita muito satisfatória. Goste você de boa comida, boas caminhadas ou bom acervo cultural. Lá, você encontrará de tudo.

Créditos, também, para infraestrutura voltada ao turismo!

Ah, e finalmente, mas não menos importante: nota dez para a organização alemã. Do início ao fim da viagem. Havia ficado surpresa logo ao chegar com a rapidez com que saímos do aeroporto. ​Mais ainda fiquei ao retornar: a devolução do carro foi feita no mesmo terminal em que iríamos embarcar. Contando a entrega das chaves, a vistoria e a chegada ao balcão para fazer o check-in, todo o processo durou 5 minutos. ​

A Holanda também não faz feio neste quesito. Chegada ao aeroporto + pegar as malas + pegar o shuttle até o estacionamento + pegar o carro + sair do estacionamento = cerca de 15 minutos. Como é bom estar no Primeiro Mundo!… ​

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