A visita guiada ao Palácio Guanabara faz parte de um projeto que visa proporcionar à população o acesso aos belos ambientes da construção que já foi residência da Princesa Isabel e de alguns presidentes no período em que o Rio de Janeiro foi a capital do Brasil.

Palácio Guanabara de Portas Abertas é o nome dado ao projeto de visita guiada, desenvolvido pela Casa Civil e Governança em parceria com a FAETEC (Fundação de Apoio à Escola Técnica).

O programa de visitação não é algo novo, mas passou por uma grande reformulação. E, após a restauração do Palácio Guanabara – que durou cerca de dois anos – está de volta.

Assim, juntamente com um grupo de blogueiros do Rio de Janeiro, recebi o convite para conhecer a nova versão desta visita guiada.

O evento teve um caráter muito especial. Além de percorrermos as dependências do belo palácio, tivemos a oportunidade de apresentar o nosso trabalho ao Sr. Otávio Leite, Secretário de Turismo do Estado, e ao Sr. Wilson Witzel, governador em exercício.

Logicamente, que ser recepcionado pelo governador em pessoa não fará parte da visita guiada ao Palácio Guanabara. Tampouco, a certeza de entrar em seu gabinete.

Ainda assim, não tenho dúvidas de que será uma experiência muito interessante.

Atualmente, a visita guiada ao Palácio Guanabara possui dois formatos.

O primeiro, destinado ao público estudantil. O segundo, ao público em geral.

Entretanto, ambos tem algo em comum: o deslumbramento causado aos visitantes.

Um pouquinho da História do Palácio Guanabara

É muito curioso perceber as transformações que uma edificação pode sofrer ao longo de sua história. Tanto no aspecto arquitetônico, quanto no aspecto social.

De modo que imagine só: uma propriedade originalmente planejada para ser uma residência particular, torna-se a moradia de membros da família imperial.

Com o passar dos anos, transforma-se em residência oficial para presidentes e, finalmente, começa a ser usada como sede do governo estadual.

Colocando-se os fatos em uma ordem puramente cronológica, pode até ser que a sequência de diferentes moradores não impacte tanto o imaginário do visitante.

Entretanto, a diversidade de personalidades que passaram pelo palácio, contribuiu de maneira singular para a apreciação do resultado, que pode ser conferido durante a visita guiada.

A linha do tempo do Palácio Guanabara

Em 1853, inicia-se a construção da residência de um rico comerciante português, que ali habita até a década de 1860, quando, então, a propriedade é adquirida pela família imperial brasileira.

Os novos moradores, Princesa Isabel e Conde d’Eu, passam a ocupar o palácio até a Proclamação da República (1889), quando então, este é confiscado pelo governo militar e transferido ao patrimônio da União, mediante um decreto de 1891.

Inicia-se, ali, o processo judicial mais longo da história brasileira, devido ao fato de a família imperial nunca ter sido indenizada pela desapropriação.

Enquanto o processo se estendia na Justiça, grandes personalidades passaram pelo Palácio Guanabara. Incluindo o ilustre ex-presidente Getúlio Vargas, que ali residiu entre os anos de 1937 e 1945.

Finalmente, em dezembro de 2018, após 123 anos de tramitação do processo judicial da família imperial contra a União, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) entendeu que o palácio pertence à União, motivo pelo qual ele se encontra de portas abertas à população.

Inclusive, segundo palavras do próprio governador, Wilson Witzel, o Palácio Guanabara é do povo e, por isso, suas portas encontram-se abertas a todos.

O que esperar da visita guiada ao Palácio Guanabara?

Em primeiro lugar, a certeza de se encantar com a beleza de seu interior!

Sim, eu sei que sou suspeita para falar no assunto. Afinal, eu sou profundamente apaixonada por palácios e castelos! Inclusive, existem vários posts de castelos e palácios espalhados aqui pelo blog!

Mas, o fato é que, até para quem já visitou zilhões deles, o Palácio Guanabara é muito bonito, mesmo.

Assim que você chega à recepção, já percebe a suntuosidade do lugar. As amplas escadarias e os mosaicos do piso, logo na entrada, já lhe dão um “spoiler” do que será a sua visita.

Uma guia do palácio irá de encontro ao grupo, para iniciar à visita guiada com duração aproximada de 90 minutos.

O Salão Nobre

Primeiro ambiente a ser visitado, o Salão Nobre é um amplo e requintado espaço. No passado, ele servia de palco para os constantes saraus e jantares promovidos pela Princesa Isabel.

Atualmente, o salão é utilizado para recepção de autoridades e para eventos do Estado.

Nas paredes do salão, estão expostas  inúmeras pinturas de presidentes do Brasil. Entretanto, o grande destaque do ambiente é o mobiliário antigo.

O Salão Verde

O imponente salão recebe este nome por conta de seu suntuoso revestimento em mármore. A decoração foi encomendada durante o governo de Getúlio Vargas, que usava o ambiente como sala de jantar.

Atualmente, o Salão Verde é usado como sala de reuniões. Durante a nossa visita guiada ao Palácio Guanabara, foi ali que fomos recebidos pelo governador Sr. Wilson Witzel e pelo secretário de turismo Sr. Otávio Leite.

Minha queridíssima amiga, a mente criativa que atua no blog “Uma Senhora Viagem”.

O Gabinete do Governador

Confesso que, apesar da imponência dos demais ambientes, a visita ao gabinete do governador teve um caráter todo especial para mim.

Pela primeira vez na vida, tive a reconfortante sensação de ver um governante não como alguém distante e inacessível.

Pelo contrário, consegui enxergar o lado do ser humano, próximo, descontraído e receptivo de Wilson Witzel.

Foi, realmente, uma ocasião especial e que deixou de lado preferências ou divergências políticas dos participantes.

Naquele momento, acho que ninguém era de esquerda ou de direita. Todos eram convidados recebidos com carinho por um alegre anfitrião.

A Sala Pé de Moleque

A Sala Pé de Moleque surgiu de uma descoberta realizada pelos restauradores durante as obras de revitalização do Palácio Guanabara.

A grande importância do belo ambiente de 84 metros quadrados deve-se a dois fatores.

O primeiro, por estar ambientada sobre um calçamento típico do século XIX, que era construído por filhos de escravos (os “moleques”).

Estes usavam seus pés para acomodar as pedras que o constituíam. Daí o surgimento do nome.

O segundo, devido à descoberta de uma antiga viga que, ao invés de ser removida, foi utilizada para a construção de um nicho, onde hoje encontra-se uma estátua de São Jorge.

É possível este patrimônio funcionasse como a senzala, na época da Princesa Isabel. Entretanto, hoje em dia, a Sala Pé de Moleque é utilizada como uma elegante sala de espera.

É ali que convidados ilustres aguardam uma audiência com o governador.

O pátio interno e o jardim de Inverno

Um dos ambientes mais apreciados pela Princesa Isabel,o pátio interno é acessado por lindos corredores ornados por aberturas em arcos.

As estátuas de delfins, ao centro, dão um toque de requinte ao lugar.

Os jardins do Palácio

Os belos jardins do Palácio Guanabara dão um show à parte. Infelizmente, no dia da nossa visita, começou a chover pouco antes de passarmos à parte externa.

Dessa forma, essa parte da nossa visita ficou um pouco prejudicada, pois não pudemos conferir de perto as espécies botânicas. Tampouco pudemos ir até a Capela de Santa Terezinha.

Posteriormente, voltei ao Palácio Guanabara para participar das comemorações do Dia dos Namorados.

Na ocasião, o dia estava lindo e pude conferir, com calma, as duas fileiras de palmeiras imperiais que a própria Princesa Isabel mandou plantar nos suntuosos jardins.

Além das famosas palmeiras imperiais, árvores de frutas exóticas (como mangueiras, caqui-preto e olho-de-dragão) podem ser encontradas no belo jardim.

Ali também é possível apreciar um pequeno lago, em cujo centro encontra-se a fonte de Netuno.

A capela de SantaTerezinha

A capela foi construída na década de 1940 a pedido de Dona Carmela, esposa do então presidente Gaspar Dutra.

Infelizmente, a primeira-dama veio a falecer pouco tempo depois. Contudo, até hoje são celebradas missas, batizados e casamentos na capela de Santa Terezinha.

Como organizar a visita guiada ao Palácio Guanabara?

A visita para grupos escolares, acontece durante a semana e é destinada a alunos do Ensino Médio. A  inscrição – para até 30 participantes – deve ser feita por e-mail e através da escola.

As visitas para a população em geral ocorrem sempre aos sábados de manhã. O procedimento é parecido com o das instituições escolares.

Deve-se mandar um e-mail com nome completo dos participantes e número de documento de identificação. A visita está confirmada mediante a um e-mail de resposta da Casa Civil e Governança.

Eventos mensais nos jardins do Palácio Guanabara

No último sábado de cada mês, acontece um evento aberto à população nos jardins do Palácio Guanabara. Esta iniciativa também faz parte do projeto Palácio Guanabara de Portas Abertas.

O evento tem sempre a finalidade de celebrar uma data especial.

Desde que o novo formato de visitação foi inaugurado, já houve dois eventos: um destinado ao Dia das Mães; outro, ao Dia dos Namorados. O próximo será uma animada Festa Junina (ou, melhor, “Julina”).

Tais eventos artísticos e culturais contam com a particapação da orquestra e do coral da FAETEC. Assim como de organizações e grupos convidados.

Na comemoração do Dia dos Namorados, por exemplo, a Banda dos Fuzileiros Navais deu um verdadeiro show.

Assim como o grupo Corpo em Movimento, cuja máxima é a inclusão na dança.

O grupo é composto por bailarinos e cadeirantes que, harmoniosamente, apresentam ao público uma coreografia ímpar.

Os eventos nos jardins são abertos à comunidade mediante a pedido de participação por e-mail. As vagas ficam limitadas a 120 participantes.

No dia do evento, há uma lista com os nomes dos convidados na entrada do palácio e é preciso apresentar um documento de identificação com foto para a liberação do acesso.

É bom lembrar que, nos dias de eventos nos jardins, a visita guiada ao Palácio Guanabara fica suspensa.

Como chegar ao Palácio Guanabara?

O Palácio Guanabara está localizado na Rua Pinheiro Machado, sem número, no bairro das Laranjeiras.

Como a vizinhança carece um pouco de vagas públicas de estacionamento, o ideal é chegar até lá usando transporte público ou sistema de aplicativo.

Ainda assim, caso você opte por ir com carro próprio, o Palácio Guanabara dispõe de um pequeno estacionamento (sujeito à lotação).

Usando transporte público

Várias linhas de ônibus atendem à região do Palácio Guanabara. Entretanto, eu considero o metrô a alternativa mais fácil.

Você deve descer na estação Botafogo. Todavia, convém ter em mente que é preciso fazer uma caminhada de cerca de 1.2km até lá.

Aliás, o caminho até o metrô pela Rua Paissandu é um pouco mais longo, mas valerá cada passo! Tudo porque foi ali que a Princesa Isabel mandou plantar duas fileiras de palmeiras imperiais que fariam sombra em sua caminhada até a praia do Flamengo. Elas ainda continuam, firmes e fortes, por lá!

De táxi ou aplicativo

Sem sombra de dúvida, a maneira mais prática e segura para acessar o Palácio Guanabara. A cidade do Rio de Janeiro conta com uma extensa frota de táxis. Da mesma forma que aplicativos para celular como Uber, Cabify e 99 são ótimas opções para ter conforto e economizar.

A minha experiência

Minha visita guiada ao Palácio Guanabara reforçou o pensamento recorrente de que, muitas vezes, ignoramos o potencial turístico e histórico de nossa própria cidade.

Além disso: que deixamos de prestigiar uma iniciativa cultural e gratuita, oferecida por nosso órgãos públicos.

Assim, quero deixar aqui a sugestão a visitantes e moradores do Rio de Janeiro de incluir o belo palácio Guanabara na lista dos patrimônios históricos e culturais imperdíveis da Cidade Maravilhosa.

 

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