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Semana passada, escrevi um post sobre sete atrações em Haia para se conhecer em um único dia. E enquanto elaborava o texto  percebi  que, apesar de já haver passado centenas de vezes pelo Palácio da Paz, nunca o havia de fato “turistado”… fiquei envergonhada!

Como é que eu escrevo um Blog de Turismo e vivo na cidade há dois anos e ainda não havia “ticado” este ponto turístico? Além disso: como participei da Corrida da Paz – cuja largada acontece em frente a ele… e ainda não havia entrado lá?

Estava na hora de corrigir esta situação. Daí que domingo, num dia frio e chuvoso de inverno (ainda que ameno este ano), peguei meu guarda-chuva e caminhei a distância de pouco mais de um quilômetro que separa a minha casa de lá…

Bom, em minha defesa: certa vez até tentei visitá-lo… fui até lá de orelhada, num fim de semana qualquer, para ver se o conhecia… mas dei com a cara na porta. Então, para evitar que isto aconteça com você, mostrarei o caminho das pedras…

Antes, porém, vou falar um pouco deste lugar e da importância que ele tem para o mundo. Não sou uma profunda conhecedora de História, então, vou contar resumidamente o que ouvi durante a visita e alguns dados que pesquisei depois.

Um pouquinho de História

No final do século XIX, o fantasma da guerra povoava a mente de muitos europeus e era motivo de preocupação de muitos líderes. Em 1899, o czar russo Nicholas II teve a iniciativa de organizar uma conferência de paz entre algumas nações com o intuito de promover a paz mundial. A ideia era discutir as questões do desarmamento e criar uma Corte Internacional de Arbitragem.

O evento aconteceu em Haia, por convite de Wilhelmina, rainha holandesa na ocasião. A reunião, que contou com a presença de 26 países, foi um sucesso e nos anos que se seguiram, alguns pontos importantes a respeito do que foi discutido foram sendo desenvolvidos. No ano de 1907, houve uma segunda conferência, dessa vez com 44 países. E no ano de 1913, o palácio  foi inaugurado, resultado de um esforço conjunto de várias nações.

Importante frisar que, a contribuição do filantropo Andrew Carnegie (o mesmo do famoso Carnegie Hall em Nova Iorque) foi crucial para a realização do projeto. Ele, sozinho, doou 1.5 milhão de dólares (uma bela bolada nos dias de hoje… imagine no início do sec. XX).
Ele fez uma única condição: que fosse construída uma biblioteca capaz de continuar proporcionando conhecimento à população. Ele, que de origem humilde e com poucos recursos na juventude, fez uso de muitas para ampliar seus conhecimentos Uma história bonita e com final feliz…

 

Programando uma visita

O mais importante de tudo é programar a visita. Por se tratar de um local com funções práticas, nem todas as instalações estão liberadas para o público e, mesmo as que estão, exigirão uma visita guiada.

A única parte do complexo que não exige agendamento prévio é o Visitors Centre (o centro de visitantes), onde fica uma pequena exposição que conta a história do lugar e que pode ser visitada com um audio-guide (disponível em 9 idiomas, mas não em Português!) que você pega emprestado lá mesmo.

Para entrar no palácio em si, é preciso agendar um tour guiado e esse agendamento só pode ser feito (e pago) on-line. É bom ser ligeiro(a) se fizer questão de visitar o interior do palácio, pois  o grupo só pode ter, no máximo, 20 pessoas.

O ingresso custa €9,50 (valores de janeiro/2016) e não há descontos para quem tem Museumkaart ou para estudantes e pessoas acima de 65 anos. Os únicos que não pagam são crianças de até 10 anos, com um máximo de 2 por adulto acompanhante.

Os passeios guiados só ocorrem em alguns finais de semana do mês. É bom verificar a disponibilidade no site. No dia da visita, além de levar os ingressos já imprimidos, você tem que levar um documento de identificação com foto.

Os tours são oferecidos apenas em Holandês ou Inglês e duram cerca de 45 minutos. É bom chegar com 15 minutos de antecedência (recomendação deles), pois o início é pontual, e você não poderá entrar com câmeras fotográficas, celulares ou bolsas. Deve deixá-los todos em um locker individual (sem custo adicional). Além disso, passará por um detector de metais para acessar a parte interna. O controle é rigorosíssimo.

Okay, sei que você pode estar pensando: “que trabalheira… será que vale a pena?!” Bem, eu gosto de um museu, amo um palácio… mas mesmo para quem não é fanático, vale a pena, sim! O lugar é encantador. E eu não estou falando da importância histórica (ou mesmo da atual). Eu estou falando de Arquitetura e Decoração, mesmo. É um edifício belíssimo, que recebeu presentes e contribuições de várias nações, o que faz dele quase um museu.

Só para você ter uma ideia: o estonteante mármore do piso foi a contribuição italiana. A madeira das suntuosas portas, veio do Brasil. Além disso, há vasos chineses, tapetes turcos, azulejos holandeses, esculturas húngaras… contribuições de vários países, cada um com suas características. O fato é que todo mundo se esmerou para mandar o que havia de melhor. O resultado foi impressionante!

Isso sem contar os bustos das pessoas importantes que, de alguma forma, contribuíram para a existência de um ícone da paz mundial. Estão lá, entre outros, Gandhi, Mandela e o nosso Rui Barbosa, apelidado de Águia de Haia. Hum, aposto que isso lhe soou familiar!

Bom, mas o que me impressionou mesmo foi entrar nas salas onde grandes decisões históricas foram e continuarão sendo tomadas, afinal é no Palácio da Paz que estão a Corte Permanente de Arbitragem e o Tribunal Internacional de Justiça.

A Biblioteca do Palácio da Paz – considerada a maior e mais completa do mundo sobre Direito Internacional – não faz parte do roteiro da visita guiada. Ela pode ser visitada, desde que algumas regras sejam seguidas. Se você deseja conhecê-la, é necessário seguir alguns procedimentos que você encontra no site oficial. Lembrando que não é um ponto “turístico”, apesar de ser público.

O belo jardim do palácio também pode ser visitado, mas somente em um passeio guiado e só há tour em Holandês. Além disso, deve ser muito concorrido, pois no site só há seis opções de dias e horários (no total) para o ano de 2016. E não subestime o povo daqui: os holandeses se organizam com muita antecedência, mesmo!

Bem, turista não tem muito tempo e às vezes não consegue conciliar a data da viagem com a disponibilidade de um certo ponto turístico. Se esse for o seu caso, não fique desanimado(a). Passe pelo palácio, tire belas fotos, pegue o tram 1 cujo ponto fica bem em frente e vá conhecer a praia de Scheveningen.

Outra maneira de curtir o lugar, é fazer parte da Vredesloop (Corrida da Paz), que acontece todos os anos e cujo ponto de partida e chegada é esta maravilhosa construção. Qualquer que seja a maneira que você escolha para visitá-lo, tenho certeza de que levará uma boa lembrança para casa…

Arquivo pessoal: dezembro de 2014

Categorias: Holanda

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