Budapeste já fazia parte da minha wish list (lista de desejos) há muito tempo. Acho que até mesmo antes de visitar a capital austríaca, em 2009. Eu já comentei aqui sobre o famoso triângulo que inclui visitar numa tacada só Viena , Budapeste e Praga. Beleza: cumpri  o objetivo… em doses homeopáticas. Posso dizer, agora, que todas são encantadoras. Cada uma com sua identidade e charme peculiares.

Tenho uma tendência a dizer que se eu tivesse (agora que já visitei as três) que escolher apenas uma, ficaria com Praga… mas veja: isso é uma opinião muito pessoal, talvez baseada no fato de que lá estive duas vezes e que, portanto, tive mais tempo para explorar.

Programei a visita para um fim de semana, começando na sexta à tarde e terminando no domingo de manhã. Pouco tempo na cidade, mas foi o que deu, pois meu marido só podia tirar um dia de férias… Então, lá fomos nós para a maratona de curtir o que fosse possível em um curto espaço de tempo.

Como chegar?

Muita gente que faz o “triângulo VBP” chega a Budapeste de trem. Chegamos de avião em um voo KLM de cerca de duas horas (saída de Amsterdã). O aeroporto da cidade é muito organizado e sinalizado. Também não é muito grande, então encontrar meios para chegar ao centro é bem tranquilo.

Como ir do aeroporto para o centro da cidade e vice-versa?

Logo que você passa pelas esteiras, há um guichê oferecendo táxi coletivo para o centro da cidade. Na verdade, é um sistema de vans que acomoda os passageiros que irão para regiões próximas, diminuindo o custo individual. Não se preocupe se você não passar por ele. Assim que você passa pelo portão de chegada, há outro guichê, imediatamente à sua esquerda.

Logo na saída do desembarque, não tem como errar…

Se você optar pelo transporte público, terá a facilidade de comprar um bilhete válido por 24 horas e já começar a usá-lo. O guichê de venda você encontrará do lado direito do portão de chegada. Não tem como errar. O bilhete passa a valer no momento em que é emitido e custa cerca de 10 euros.

No nosso caso, fizemos as duas coisas: compramos o tíquete para o shuttle, que custou cerca de 8 euros cada e compramos, também, tíquetes para o transporte comum. Poderíamos ter economizado indo para o centro de ônibus comum, mas queríamos ganhar tempo. 

Aqui é importante ressaltar que o aeroporto não fica próximo ao centro. Há dois caminhos: um fica a cerca de 20km da área turística e o outro, provavelmente mais rápido, fica a cerca de 35km. Então, um táxi comum não sai nada barato.

Agora, pode ser que você não fique muito confortável em ter que chegar e comprar um cartão para o transporte público depois de uma longa viagem e tendo que falar um idioma que nem é o seu e nem o da pessoa que vá lhe atender.

​Não tem problema: você pode comprar por AQUI o Cartão Budapeste, que lhe dará acesso irrestrito e ilimitado aos meios de transporte público da cidade e, ao mesmo tempo, gratuidades ou descontos para várias atrações turísticas.

 Alguns detalhes para organizar a visita…

Para brasileiros, não é necessário visto de turista se a visita for inferior a três meses. Basta ter um passaporte válido.

Budapeste é a capital da Hungria, cujo idioma é o Húngaro. Em lugares turísticos, será relativamente fácil encontrar alguém que fale o Inglês, mas não é algo tão extensivo a pequenos estabelecimentos. Para falar a verdade, até em Mc Donald’s sendo atendida por jovens, houve dificuldade de comunicação. Então, esteja preparado(a) para usar o recurso da mímica…

Assim como a República Tcheca, a Hungria possui moeda própria, o florim húngaro. Se você não tiver a moeda local, não se preocupe: bem próximo ao guichê onde são vendidos os bilhetes de ônibus, há caixas eletrônicos.

A cidade é dividida pelo Rio Danúbio, que a corta de norte a sul. De um lado, fica Buda e do outro, fica Peste. O primeiro é mais residencial e é, também, onde se localiza a parte mais histórica. O segundo é mais moderno e o ideal para se hospedar, por conta da oferta de restaurantes, entretenimento, compras etc.​

Como usar o transporte público em Budapeste?

Budapeste é bem servida com relação a linhas de metrô, trams (bondes) e ônibus. O mais antigo metrô da Europa Continental e o segundo mais antigo do mundo (perde só para o de Londres ), funciona muito bem, obrigada. Falarei sobre ele mais tarde… merece um destaque!

​Ônibus e bondes também são super descomplicados… apesar dos nomes diferentões que aparecem nos painéis… nada que um bom mapa ou aplicativo para celular não resolva.​

​Agora, se você não quiser se preocupar com nada, embarque em um ônibus turístico Hop On- Hop Off e já passeie entre um ponto e outro, sem medo de se perder entre uma atração e outra. E você ainda vai ouvindo as curiosidades do lugar entre um ponto e outro em Português. Facilite sua vida, comprando AQUI o seu bilhete para usar à vontade este recurso.

Onde se hospedar em Budapeste?

Escolhi o Ibis Budapest City por dois motivos: preço bom e proximidade com o metrô. Como outros hotéis da categoria, oferece simplicidade aliada a um ótimo padrão de limpeza e organização. O atendimento da equipe foi amigável e o café da manhã barato e com boas opções. Nada a reclamar sobre o quesito acomodação.

Uma recepção simples, mas funcional

E acomodação ampla e arejada.

Aliás, fiz a reserva com o meu parceiro Booking.com, que posso garantir que é super confiável. Se você também estiver indo para Budapeste, pode fazer sua reserva por aqui mesmo. Não vai pagar custo extra algum e eu ainda vou ganhar uma pequena comissão. Dessa maneira, você me ajuda a manter o blog, já que não conto com patrocínios…​

O que fazer em Budapeste?

Bem, a cidade tem muitas opções, que atendem a todos os gostos e bolsos. Há, porém, alguns monumentos e lugares imperdíveis. Como mencionei antes, eu tinha pouquíssimo tempo e procurei priorizar o que, para mim, era imperdível.

Normalmente, escrevo um a um os pontos turísticos, mas desta vez, farei diferente: primeiro compartilharei o meu roteiro maratonão para cumprir tudo o que eu queria ver em um dia e meio. Depois, fornecerei as informações práticas de cada ponto visitado.​

Circuito de meio dia

Como chegamos na sexta-feira por volta de 1:00 da tarde, não perdemos tempo. Fomos para o hotel, deixamos as malas, comemos um lanche rápido (redes famosas são a melhor coisa nessa hora; peça pelo número, engula e levante o acampamento!) e já pegamos o metrô para ir até a parte Buda, que é onde fica o Castelo de Buda.

Não fomos com o intuito de entrar no museu (bem que eu queria, com mais tempo livre), mas de ter uma noção da parte moderna da cidade, vista pelo lado antigo. Uma perspectiva bem interessante, pois do alto da colina, foi possível ver a imensidão do rio, a beleza de suas pontes, o Parlamento Húngaro, enfim, um bom reconhecimento do que seria (vastamente) percorrido no dia seguinte.

Optamos por não usar o funicular que liga a parte baixa ao topo da colina. Não é uma subida tão elevada assim. Aliás, subir até o Castelo de Praga exige muito mais fôlego. Ainda assim, se você optar por utilizá-lo, é possível comprar o tíquete no local. ​A subidinha de Budapeste é bem tranquila pra quem não está com problemas de locomoção. E pra descer, todo santo ajuda! ajuda!

Atravessamos a Ponte das Correntes e andamos pelo calçadão do rio até chegar à parte da cidade onde fica a Váci Utca, a mais famosa rua de comércio da cidade, onde ficam também boas opções de hospedagem e restaurantes. Aliás, eu recomendo essa área para a escolha do hotel, pois é bem mais turística (e bonita) comparada a de onde nos hospedamos.

Foi muito agradável percorrer o lado de Buda, passar pela Ponte das Correntes e ir explorar o lado moderno da cidade. Acho que para um período curto, foi um bom reconhecimento.

Circuito de dia inteiro

Bem, foi preciso organizar minuciosamente o roteiro, para aproveitar ao máximo com o mínimo de cansaço possível. Para isso, já saí de casa com os tíquetes para a visita ao parlamento húngaro. Havia comprado on-line, pois sabia que assim garantiria o horário da visita.

Começamos o nosso tour às 10:00 da manhã. Eu tinha agendado a opção em Inglês, mas vi que também que havia uma visita guiada em Francês e outra em Alemão. No nosso grupo, eram 30 pessoas.

Para entrar no prédio do parlamento, tivemos que passar por um esquema de segurança idêntico ao de um aeroporto. A visita, com cerca de uma hora de duração, foi extremamente interessante, pois a pessoa que nos guiou contou, com entusiasmo, fatos históricos e detalhes arquitetônicos do lugar, que é encantador!

O Parlamento é um ponto turístico bem concorrido e para garantir a visita, é prudente já chegar com o ingresso em mãos, já que somente visitas guiadas são permitidas e há limite de visitantes por grupo.

Os tours acontecem em vários idiomas, mas sem opções em Português (Inglês e Espanhol estão disponíveis). O Turista Fulltime, em parceria com o Ticketbar, disponibiliza a venda descomplicada e em Português AQUI.

Após a visita, saímos caminhando pela orla do rio até o monumento dedicado aos habitantes que foram atirados no Danúbio pelos nazistas húngaros. A composição reúne sessenta pares de sapatos confeccionados em bronze, seguindo o estilo usado nos anos 1940 e são um tributo às vítimas do holocausto. Uma parada para reflexão e respeito aos que perderam suas vidas durante um período da História da humanidade que ninguém esquecerá.

Depois de uma breve parada, seguimos ainda pelo Danúbio até a Basílica de Santo Estevão, que por si só já é bela, mas que guarda uma relíquia importantíssima para a Igreja Católica. Em uma capela, no fundo da igreja, encontra-se a mão direita mumificada do que foi o primeiro rei da Hungria (Estevão, o Grande) e que em 1083 foi canonizado, passando a ser denominado como Santo Estevão, apóstolo dos húngaros.

Aqui vai um fato curioso: na entrada da capela, há a indicação do que será visto, mas que passa despercebida por muita gente. As pessoas chegam próximas à redoma (que não está iluminada) e não sabem exatamente o que esperar.

Há, ao lado, um recipiente onde pode ser colocada uma moeda de 200 HUF (cerca de €0,60) que aciona o mecanismo de iluminação por dois minutos. Aí é possível perceber que trata-se da mão mumificada.

Quando chegamos, não tínhamos uma moeda pra ver a mão (eu fui lá com esse objetivo!) Então, tivemos que esperar pacientemente que alguém fizesse a gentileza.

Não subimos até a cúpula, pois o tempo era escasso, mas vimos pessoas caminhando por lá. Teria sido interessante, eu acho.

A esta altura, já estávamos com fome e resolvemos conferir o Mercado Central, do qual havia lido boas referências em outros blogs de turismo. Pegamos o bonde de número 2, que margeia o Danúbio, e descemos na parada Fővám tér M (bem em frente à ponte) e andamos os 400 metros que faltavam até lá.

Honestamente? A maior decepção da viagem. Esperávamos encontrar um mercado nos moldes dos de Madri ou de Florença, mas o que achamos foi um lugar abarrotado e com poucas opções de comida.

Além disso, as poucas mesas que haviam por lá estavam em um corredor do segundo piso, estreito e de difícil circulação, posicionadas de frente para os locais em que os pratos eram vendidos.

​Em pleno sábado, foi uma tarefa quase impossível abrir passagem para poder, finalmente, sair da área alimentícia. Apesar da fome desesperadora (àquela altura!), saímos de lá em busca de um lugar menos tumultuado para comer.

Importante ressaltar: o local tem uma grande oferta de produtos frescos e deve ser muito bom para quem vai em busca de ingredientes para cozinhar em casa. Também pode ser interessante para quem vai em busca de lembrancinhas turísticas. Agora, com relação ao potencial gastronômico, achei viagem perdida…

Depois de comer um sanduíche em uma lanchonete na Váci Utca (sim, ela é longa e vai até a praça em frente ao mercado…), pegamos o metrô para ir até o Museu do Terror.

​A visita é pesada, triste, mas é uma aula de História imperdível. O audio-guide é fundamental, pois sem ele, perde-se muita informação. Todas as peças e salas têm alguma explicação por escrito e contam, também, com recurso audio-visual, mas acho que para aproveitar melhor, o ideal é visitar com o áudio.​

Museu do Terror, pelo nome, poderia passar por uma atração lúdica para jovens, mas na verdade é um local para contar à humanidade as cinco décadas de repressão e ditadura que precederam a transição política húngara, em 1989.

O edifício foi a sede do partido Ultra Direita Nazista na década de 1940 e, depois, passou a ser ocupado pela Segurança de Estado (uma versão húngara da KGB) durante o regime comunista.

O porão do edifício funcionava como um presídio, onde muitos foram interrogados e mortos nos anos obscuros dos dois regimes ditatoriais.

O museu, que reúne depoimentos de sobreviventes, assim como artefatos, armas, uniformes e mobília relativos a cada gestão, é um tributo às vítimas que ali padeceram e um legado para o futuro, a fim de que regimes de terror não voltem a acontecer

Não é permitido fotografar dentro do museu. Algo totalmente compreensível, por se tratar de um memorial às vítimas. No entanto, devo dizer que dois ambientes me deixaram profundamente comovida: o primeiro, logo na entrada, onde foi colocado um tanque de guerra, que ocupa todo o ambiente.

O outro, já perto do término da visita (que obedece uma sequência definida); a sala que contém uma forca utilizada para execução dos prisioneiros. Fico imaginando o quão penoso deve ser para os descendentes saber da existência do lugar e se conseguem ousar (ou superar) percorrer todos aqueles cômodos…
Bem, após uma visita como essa, só mesmo ir fazer algo leve para desbaratinar. Saímos de lá e caminhamos até a Hungarian Opera House. Sabíamos que não seria possível visitar, mas só queríamos conferir o local, mesmo. Além disso, era uma curta caminhada (em linha reta) de 700 metros.

Término do dia: hora de voltar ao hotel e repor as energias antes do jantar.

Onde comer em Budapeste?

Nossa viagem foi curta e bem corrida, de modo que comer foi algo meio que deixado em segundo plano. Ainda assim, eu já havia pedido recomendação a uma amiga que viaja bastante e que estivera na cidade poucos meses antes. Fomos conferir e não nos decepcionamos.
O restaurante Apostolok localiza-se em uma área bem turística e é um estabelecimento tradicional, mas nem por isso foi do tipo “armadilha”. A comida estava bem preparada, o atendimento foi cordial e o ambiente era bem charmoso e aconchegante. Havia, também, música ao vivo (um trio de violino, contrabaixo e violão).

Única ressalva: esteja preparado(a) para dar uma gorjeta aos músicos. Eles forçam um pouco (ou muito!) a situação, indo de mesa em mesa, parando ao lado por um tempo suficiente para você se sentir obrigado(a) a abrir a carteira. Aliás, eles não arredam o pé até que isso aconteça. Ainda assim, a refeição saiu barata , se comparada a outras cidades europeias.

Endereço: Kígyó Utca 4-6, 1052 Budapeste Não havia indicação no website a respeito de horários e dias de funcionamento.

Para o segundo jantar, escolhemos “pela cara”, pois havíamos passado em frente duas vezes e parecia ser um lugar legal. Além disso, comida italiana é sempre familiar; diminui a margem de erro.

Endereço: Kígyó Utca 20, 1052 Budapeste Funcionamento: todos os dias de 11:30 à meia-noite

Não poderíamos ter feito escolha mais acertada: comida deliciosa, atendimento cordial e preço razoável. Eu tomei a tradicional sopa Goulash de entrada (que desde a viagem tornou-se prato cativo no meu cardápio doméstico!) e comi um tagliatelle com funghi porcini e tirinhas de frango. Estava divino!

Meu marido comeu bife strogonoff com gnocchi frito… pareciam mini bolinhas de queijo… dá água na boca só de lembrar! Tudo isso regado a vinho tinto húngaro… para prestigiar o que é local!

Pontos marcantes da visita a Budapeste

Andar pelas ruas de Budapeste nos remete a um passado majestoso e, ao mesmo tempo, faz-nos refletir sobre os impactos que mais de 50 anos de tempos políticos difíceis fizeram ao país. Apesar de os monumentos e prédios públicos estarem muito bem conservados, a cidade em si parece, de fato, estar se recuperando dos tempos árduos da ditadura.

Há muitos mendigos pelas ruas e, pelo menos na estação de metrô próxima ao nosso hotel, havia pelo menos uma dezena deles morando (com colchão e tudo) por lá. Uma cena infinitamente triste, ainda mais quando você se lembra de que está ali a passeio, gastando com supérfluos, quando muitos não têm para gastar com o básico. Ainda assim, não nos sentimos intimidados. Mesmo ao passar tarde da noite por lá.

Um outro fato – um pouco mais alarmante – foi a presença de homens na rua, tentado vender Iphones “usados” em plena luz do dia. Fomos abordados duas vezes, e presenciamos o mesmo com outros turistas. É preciso ter cuidado com eles, que se concentram, principalmente na Váci Utca e na praça em frente ao Mercado Central.

Um detalhe prático: tenha moedas para usar os toaletes. Eles são cobrados até mesmo dentro de museus. Os valores giram em torno de 150 a 200 florins húngaros.

Outro fato curioso, como já havia mencionado anteriormente, foi o transporte público. Algumas linhas de ônibus, bondes e metrôs parecem ter saltado de um filme antigo. Ainda assim, são funcionais e confiáveis. Usamos o bonde que margeia o Danúbio (que é super charmoso) e pegamos a linha azul de metrô para ir ao aeroporto. Foi muito interessante estar em um vagão tão “vintage”…

Gostamos muito de Budapeste. É, certamente, uma cidade lindíssima, que deve constar de qualquer lista do viajante que gosta de aliar entretenimento à cultura. Eu voltaria, sem a menor dúvida. Aliás, é um plano, já que faltou tanta coisa para apreciar. Quem sabe fazendo finalmente o “triângulo” do qual tanto já falei?!

Categorias: Hungria

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