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Aí eu lhe pergunto se Veneza não é um lugar original e único! Não estou nem me referindo ao glamour e romantismo do pedaço. Estou pensando na composição. São 118 ilhotas banhadas por 177 pequenos canais e com mais de 400 pontes ligando pontos diferentes da cidade. Uma arquitetura extravagante que atraiu  quase 10 milhões de visitantes em 2015! E muita história envolvida, que não vou contar. Meu foco é o que fazer por lá!

O meu “breve relacionamento” com Veneza…

Devo confessar que, apesar de ter visitado Veneza duas vezes, não fiz nem metade do roteiro “turistoso” tradicional. Ao longo do post, explicarei os porquês… mas guardo na memória bons momentos passados por lá, assim como centenas de fotos lindíssimas!

Entendendo o que é Veneza em agosto

Imagine o mês de melhores temperaturas na Europa… combinado com as férias escolares do Hemisfério Norte… acrescente uma cidade que está na Wish List de (quase) todo mundo que vem à Europa (ou à Itália) pela primeira vez… junte a tudo isso o crescimento das viagens europeias entre as pessoas provenientes da Ásia: Welcome to Veneza!

Não, não estou sendo chata, implicante e esnobe; nem estou tentando fazer você desistir de visitar a cidade. Ela é um encanto, um charme só… estou apenas esclarecendo que conhecê-la, particularmente nessa época do ano, exigirá de você paciência, boa-vontade e espírito leve! E justificando o porquê de eu ter desistido de entrar nas filas para as principais atrações turísticas…

Bem, ainda que você vá com o marido e dois filhos adolescentes (que acham quase tudo o que é cultural, chato!), dá para aproveitar muita coisa. O mais legal de Veneza, na minha opinião, é descobrir preciosidades naqueles infinitos labirintos que são as ruelas da cidade… Mapa?! Hã??? Ah, sim, eles estão à venda em cada esquina… mas não vão ser de muita valia… e que bom, pois o mais gostoso por lá, é se perder mesmo…

Como chegar a Veneza?

Transitar pela Europa é quase sempre muito descomplicado e seguro. Há várias maneiras de se chegar a Veneza. Tudo depende do seu ponto de partida.. Há ônibus ou trens  (a Stazione di Santa Lucia tem uma localização perfeita: fica às margens do Grand Canal – de onde partem os Vaporettos para todos os cantos da cidade, quase).

Veneza conta, também, com o aeroporto Marco Polo. Apesar de ser de pequeno porte, atende bem à demanda. Viajei pela KLM, mas outras companhias também operam na região.

Como ir do aeroporto de Veneza ao centro histórico?

Há uma linha de ônibus que opera o “Venice Express”. Pela tarifa de €6,00 por pessoa (valores de 2015) é possível ir até a Piazalle Roma – parada de todos os ônibus na parte turística da cidade. De lá, é só cruzar a Ponte Rialto e caminhar até a plataforma de saída dos Vaporettos.

Aí vai um detalhe: dependendo da quantidade de malas (e do tamanho delas!), pode não ser tarefa fácil… o percurso não parece longo, mas o caminho pode ser exaustivo para muita gente. Especialmente, porque as ruelas da parte histórica são todas de calçamento irregular (medievais, né…). Às vezes achar o hotel no meio do dia e de tanta gente pode ser um desafio a mais! Ou à noite, quando todas as ruazinhas vazias parecem iguais. Os bequinhos dão um calafrio no brasileiro gato escaldado…rs!

Mas, voltando ao tópico… além dos Vaporettos, há os chamados táxi-lanchas, mas estes costumam ter o preço salgado. Alguns hotéis oferecem traslado aeroporto-hotel-aeroporto. Às vezes, a diferença no preço compensa a comodidade.

Eu não tive esse problema: nas duas vezes, reservei hotéis na “parte nova”, a parte normal, vizinhança como de qualquer outro lugar, com supermercados, empresas etc. Um jeito de economizar, pois Veneza tem hospedagem cara e indo em família e tendo que pagar por duas acomodações, fica inviável. Pelo menos para mim…

Quanto à locomoção, nas primeira ida reservei um shuttle. Para quatro pessoas e seis malas, pareceu a melhor solução: 38 euros para todos. Na segunda vez, pegamos um táxi comum do lado de fora do aeroporto: 40 euros (cobrindo uma distância de 13km). Achei que valeu a pena e fomos deixados no saguão do hotel.

Onde se hospedar em Veneza?

Lógico que este quesito vai depender do bolso e gosto de cada um, mas uma coisa é clara e certa: Veneza tem valores exorbitantes para as acomodações na parte histórica!

A solução que encontrei para me hospedar com a minha família foi fora do circuito turistoso. Posso dizer que, apesar do empecilho de ter que me locomover até a parte turística, valeu a pena financeiramente e o sacrifício não foi tão grande…

Novotel Venezia Mestre Castellana

Na primeira hospedagem, escolhemos o Novotel Venezia Mestre Castellana. Pegamos um quarto familiar por três noites e o preço foi bem razoável para um hotel com uma boa piscina externa e supermercado e ponto de ônibus bem próximos.

O percurso de ônibus das imediações do hotel até o terminal rodoviário em Veneza leva cerca de 30 minutos e, de lá, o acesso a pé a todas as atrações da parte velha da cidade é muito simples.

Best Western Plus Quid Venice Airport

Na segunda estadia, ficamos no Best Western Plus Quid Venice Airport. Apesar do nome, O hotel fica a 13 quilômetros do aeroporto, na região Mestre. A mesma do hotel em que nos hospedamos na ida anterior. Hotel excelente, moderno, com quartos grandes e confortáveis e um preço melhor ainda (pagamos pouco mais de 80 euros por quarto e por noite).

O hotel oferece ainda um shuttle para o centro histórico de Veneza por 6 euros por pessoa (cada trecho – valores de 2014). Vale a pena, pois em pouco mais de 15 minutos, você está no centro da ação. E ainda dá a possibilidade de ficar até mais tarde por lá, já que o último ônibus sai com destino à região Mestre às 20:00 e pudemos ficar lá até às 22:30.

Independente da escolha do hotel ou da região, uma boa pedida é reservar por um site confiável. Quando você for reservar sua estadia, utilize o link do meu Blog, pois assim você estará me ajudando na manutenção e crescimento do mesmo… e não pagará nada a mais por isso! Olha que legal: eu lhe ajudo a programar a viagem e você me retribui escolhendo sua acomodação por aqui…

Como circular por Veneza?

Pelo centro histórico: a pé é a melhor opção – simples e de graça.

De outros bairros ou do aeroporto para o centro histórico: ônibus (cheque as linhas no site oficial).

Vaporettos (“ônibus aquático” típico veneziano): ligam vários pontos da parte antiga da cidade, inclusive a estação de trem a vários hotéis. Partidas da plataforma de San Michelle. Preço único: €6,50 (valores de 2015). Para evitar a chatice de ter que entrar em filas para comprar o tíquete, o Turista FullTime te dá aquela mãozinha. Você pode adquirir sua passagem aqui mesmo, com meu parceiro GetYourGuide.

Táxis não circulam pelo centro histórico. Fazem a conexão aeroporto-bairros modernos ou aeroporto-terminal rodoviário (que dá acesso a pé ou de Vaporetto à região histórica e aos hotéis).  É muito comum ver gente circulando com malas para todos os cantos.

Táxis-lancha podem ser encontrados na parte próxima ao terminal ferroviário e fazem o acesso aos hotéis.​

Importante: os bilhetes para o ônibus não são vendidos pelo motorista. Você deve adquiri-los antes de embarcar. Na primeira estadia, compramos os bilhetes na recepção do hotel. Na segunda estadia, achamos que poderiam ser, também, adquiridos com o motorista. Não houve essa possibilidade, e ele nos falou que poderíamos comprar quando o ônibus chegasse ao terminal.

Mas, cuidado: o ideal é você ter o bilhete comprado previamente, para evitar problemas e multas, já que há fiscalização e controle durante o trajeto. Os bilhetes podem ser adquiridos em guichês junto ao terminal rodoviário (muito fácil de encontrar: do lado oposto da rua onde os ônibus ficam estacionados).

Qual é melhor época para visitar Veneza?

Pergunta difícil de responder, pois depende da disponibilidade e preferência de cada um, mas qualquer mês tem os prós e os contras.

Para mim, a melhor época é, definitivamente, fora do verão (junho a setembro) por várias razões É o auge da alta temporada. Então, os preços dos hotéis e restaurantes estão muitos altos, E a cidade está abarrotada de turistas. As filas para museus e  atrações ficam gigantes e o calor pode ser muito inconveniente.

Porém, tem quem ache que a época do final da primavera e começo do verão (maio e junho) ótima, justamente por conta da temperatura. Em princípio, uma boa opção Ainda não é alta temporada, mas já está mais quentinho, de fato.

Nos meses de inverno, a cidade fica mais vazia e é possível encontrar preços bem melhores para hospedagem. Porém, há a possibilidade de ocorrer enchente, a tal “acqua alta”, entre os meses de outubro a janeiro. Além disso, escurece cedo no hemisfério norte nessa época do ano, o que limita os passeios “diurnos” (nos meses de verão, fica claro até dez da noite em certas épocas).

Enfim, a melhor época é a que for possível para você… e estando lá, que você curta ao máximo que a cidade e a estação do ano tem a oferecer. ​

Veneza: destino dos corações apaixonados

O que fazer por lá?

Você deve estar se perguntando o motivo de eu ter ido mais de uma vez no verão, com tudo o que já comentei… Simples: Veneza é um porto perfeito para embarcar em um cruzeiro. Explico: além de ter a chance de conhecer uma bela cidade – chegando uns dois ou três dias antes – é dali que partem os cruzeiros com os melhores itinerários para quem quer conhecer o Mediterrâneo – incluindo as maravilhosas ilhas gregas…

Além disso, a saída de um porto de cruzeiro é sempre um ponto alto do dia… e a saída de Veneza tem um charme especial: do navio, você tem uma visão lindíssima da Piazza San Marco, da Ponte dos Suspiros, das gôndolas, dos turistas acenando alegremente para quem parte… um ritual mágico e inesquecível!

Os cartões-postais de Veneza

O Campanário

O Campanário, também conhecido com Torre Veneziana, oferece uma vista privilegiada da cidade e pode ser acessado por um elevador. Foi de lá que Galileu Galilei apresentou ao Doge da época o alcance de visão de um telescópio. Uma curiosidade: apesar de não ter sido o inventor, Galileu foi o primeiro a utilizar um telescópio para realizar investigações astronômicas.​

A Torre do Relógio

E por falar em Astronomia… ainda na Praça de São Marcos, você vai poder conferir o edifício construído no século XV e que tem em sua fachada um dos maiores relógios astronômicos do mundo.

As atrações da Piazza San Marco

Essa característica de Veneza é bem interessante e de grande ajuda para o turista, já que quatro das grandes atrações ficam concentradas em um único lugar: a Praça de São Marcos. E de quebra, ainda fica em frente ao Grand Canal (o Grande Canal) e pertinho da Ponte dos Suspiros… muita “informação” e coisa linda no mesmo quarteirão! Daí estar sempre lotada de turistas, que disputam espaço com os pombos, outro traço marcante de grandes praças europeias…

A Basílica de San Marco

Construída no século IX (ano 828), conta com mais de um milênio de História. Apesar de que a construção que podemos visitar hoje foi entregue apenas em 1177… ainda assim, é muito tempo!

Visitar a basílica é grátis, mas é necessário deixar bolsas e mochilas no guarda-volumes, daí a fila gigante. Há quem diga que a fila anda rápido. Não posso afirmar, pois nunca esperei, infelizmente… quem já visitou garante que os dez minutos para percorrer o trajeto predeterminado valem cada segundo passado na longa fila. Espero um dia poder conferir essa informação!

Para o museu da basílica é preciso comprar um ingresso.

Palazzo Ducale

Antiga residência do Doge (nome dado ao governante de Veneza por vários séculos), a belíssima construção erguida entre os séculos XIV e XV, também é outra atração a ser conferida. A fila normalmente é grande e é preciso tempo para visitá-lo com calma (estima-se um período de 2 a 3 horas), mas vale a pena.

Uma dica para “furar” a fila, é pagar o tour secreto. Paga-se um pouco mais, mas ganha-se tempo precioso para conferir outras coisas…​

O Grande Canal

É a maior via de navegação da cidade, funcionando quase que como uma grande “avenida”… é por ali que circulam as lanchas, os táxis aquáticos, as gôndolas, os Vaporettos e até os navios de cruzeiros!

Ponte Rialto

É preciso ter paciência para uma foto (quase) sem ninguém por perto…

A Ponte Rialto é a mais famosa da cidade e uma das quatro que passam sobre o Grand Canal (o Grande Canal). A ponte  original foi construída em madeira no ano de 1181, mas passou por vários episódios até chegar à estrutura que vemos hoje em dia.

​Um deles foi o desabamento no ano de 1444 por conta do excesso de peso… ela estava lotada por conta de um desfile náutico que acontecia na ocasião. A multidão foi parar nas águas do Grande Canal! Depois disso, foi reconstruída, ainda em madeira, caiu de novo e, finalmente, no século XVI foi substituída por uma estrutura de pedra, que é a versão que está lá até hoje.

Ponte dos Suspiros

Só a bordo do navio consegui uma foto que mostrasse bem a Ponte dos Suspiros

Esta ponte liga o Palazzo Ducale ao edifício onde funcionou a antiga prisão de Veneza, daí o nome, que não vem de sua beleza e, sim, do lamento dos prisioneiros ao atravessá-la. Segundo a lenda, muitos homens suspiraram ao passar por ali,  sabendo que estariam vendo o mundo em liberdade pela última vez, antes de ser lançados ao calabouço.

Realizando o sonho de passear com o amor de sua vida em uma gôndola…

Well, posso dizer que perdi esse sonho no momento em que soube do preço: a partir de 80 euros (cerca de 320 reais) por pouco mais de meia hora com direito ao italiano de blusa listrada e calça preta (e mudo) conduzindo para você…
Aquela cena  de filme romântico de com um casal apaixonado e  o gondoleiro entonando as belas canções  italianas deve ter sido gravada às 5:00 da manhã! Meu marido até se ofereceu para bancar o “sonho”, mas eu achei que andar de Vaporetto já cumpriria a função. Afinal, não haveria muito clima mesmo para beijos apaixonados em canais lotados, cheio de gente olhando e os filhotes a bordo achando tudo muito “brega”…

Um plano “B” para realizar o sonho romântico

Pois bem, encaramos uma fila de cerca de meia hora para embarcar, mas o desejo de “navegar em Veneza” se concretizou com um orçamento de um pouco mais de ¼ do valor inicial: 26 euros para a família toda com direito a deslizar sobre as águas por 35 minutos!

Quem sabe um dia eu volte lá, em outra estação do ano, em outra fase da vida e não resolva desencavar o sonho lá do fundo do baú? Tudo é possível e não gosto de dizer “nunca”, mas ainda não rolou…

Agora, se você vai até lá com seu amor sem criança e com uma graninha sobrando, claro que não pode deixar a oportunidade passar, pois ir a Veneza e não andar de gôndola é meio que ir à Disney e não tirar uma foto com o Mickey!

Eu sei que este post ficou longo e demorado para ler… mas ainda assim, incompleto, pois escrever sobre Veneza exige um blog inteiro só para isso! Não é à toa que esta cidade recebe mais de 12 milhões (isso mesmo!) de turistas por ano, apesar de ser pequenininha se comparada a outras “gigantes” do turismo internacional. Não é tarefa fácil visitá-la, tampouco… exige muitas idas ou muitos dias para fazer e ver tudo o que é interessante, importante e bonito! Que bom: uma ótima desculpa para voltar!

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