Um  belo dia, você está andando distraidamente por uma rua pacata qualquer da Holanda. Olha pra cima e vê um objeto… identificado, mas inusitado. O que uma mochila está fazendo pendurada na ponta de um mastro? Está secando no criativo “varal”?

Daí que hoje, enquanto passeava com a minha cachorrinha, percebi que há na minha rua três famílias cujos filhos estão formados. Pode ser que haja mais, pois há muitos estrangeiros, inclusive eu. Meu filho terminou o Ensino Médio e eu não pendurei a mochila… diferenças culturais.

Bem, não é de hoje que o povo holandês dedica uma atenção especial à fachada da casa. As janelas, principalmente, costumam funcionar como uma espécie de “quadro de recados” para a vizinhança. Por exemplo, quando nasce um bebê, todo mundo fica logo sabendo, pois enfeites de cegonha e nas cores específicas (azul ou rosa) anunciam a chegada do novo habitante da casa.

O mesmo acontece quando um(a) filho(a) se forma. Depois de anos de estudo e trabalho árduo, a família finalmente pendura a mochila. Literalmente! Muito curioso, se pensarmos que no Brasil, a gente pendura a chuteira. Será que isto tem alguma relação entre o livro e a bola? Bem, mas esta reflexão ficará para outro dia…

Enfim, o filho termina o Ensino Médio e os pais orgulhosos mostram a quem passar por lá, que ali mora alguém pronto para uma nova etapa da vida. Muitas vezes, sem a pressão da universidade. Lógico, que todo pai (acredito) fica feliz com essa perspectiva, mas não há aquela cobrança de que todo jovem vá continuar estudando. Há, sim, uma certeza: dali em diante, ele tomará os rumos de sua vida, seja qual for a sua vocação ou os seus planos. Os pais já cumpriram com a sua missão. É chegada a hora de festejar! 

Uma mochila pendurada na fachada de casa

A história da mochila eu já conhecia de longa data. Dois fatos, porém, deixaram-me não exatamente surpresa… mas certamente pensativa: uma das famílias, optou por pendurar uma bandeira com a foto do filho e muitos dizeres de felicitações e votos de um bom futuro. Achei diferente…

Outra, foi além: não só pendurou a mochila, como distribuiu a todos os moradores da rua uma simpática cartinha, onde contou resumidamente os planos dos dois filhos formados, e notificou os vizinhos que dará uma festa amanhã, explicando que haverá música até meia-noite e meia e que a uma da manhã a festa estará encerrada. Pediu desculpas pelo eventual incômodo e forneceu, também, os números dos telefones para o caso de algum vizinho incomodado com o barulho precisar ligar…

Achei a atitude tão nobre e respeitosa que pretendo amanhã mesmo correr até a loja mais próxima e comprar um cartão para enviar aos meninos. Aliás, enviar cartões é outro costume bem holandês. Esse foi um dos hábitos que adquiri morando na Holanda, entre muitos outros, .

Agora eu pergunto: como esses caras chegaram a esse nível de civilidade? Juro mesmo… após sete longos e lindos anos aqui, ainda fico de queixo caído…