Um roteiro de 3 dias em Bilbao é a medida certa para quem quer conhecer seus principais pontos turísticos e desfrutar da atmosfera alegre, vibrante e jovial que esta antiga cidade cheia de História e encantos tem a oferecer.

Quando comecei a planejar a viagem a Bilbao (Bilbau, em Português), sabia pouco sobre a cidade.

A minha motivação era passar o feriado de Páscoa em um lugar diferente, com clima agradável e no extremo Norte da Espanha, pois eu ainda não conhecia a região do País Basco.

Além disso, eu queria muito visitar o famoso museu Guggenheim, que a muitos encanta pela sua fachada cosmopolita e as imensas esculturas que ficam na sua parte exterior.

Eu havia ficado encantada, muitos anos antes, com o Museu Guggenheim de Nova Iorque. Daí que queria conferir, de pertinho, a arquitetura inusitada do Museu Guggenheim de Bilbao.

Um pouquinho do que é Bilbao

Bilbao é a capital e território histórico de Biscaia, uma das províncias da Comunidade Autônoma Basca. Fundada no século XIV, foi um centro importante devido às suas atividades portuárias.

Prefeitura de Bilbao

No decorrer do século XIX e início do século XX, sofreu uma forte industrialização por conta da produção metalúrgica na região.

Consequentemente, a “Cidade do Ferro”, como ficou conhecida, passou por um processo de expansão demográfica e urbanística.

Há alguns anos, Bilbao vem perdendo um pouco esse caráter industrial e ganhando ares de uma cidade voltada para a prestação de serviços e negócios, o que atrai tanto o turismo de lazer quanto o corporativo.

A parte onde fica o Museu Guggenheim parece ter sido totalmente revitalizada e mesmo a parte antiga da cidade é muito bem cuidada.

O que fazer em Bilbao em 3 dias?

Bilbao é uma cidade bonita, agradável e com boas possibilidades de lazer para todos os gostos e idades. Consegue manter um bom equilíbrio entre sua arquitetura histórica e o mais alto padrão de construções cosmopolitas.

Acho válido comentar que já cheguei a Bilbao com um roteiro traçado para cada dia e o que seria imprescindível visitar. Naturalmente que o icônico Museu Bilbao Guggenheim, cartão-postal da cidade, encabeçava a lista!

Claro que cada pessoa tem os seus interesses e seu ritmo. De modo que, ao invés de sugerir um cronograma, listarei as atividades e pontos turísticos que consegui conferir.

Como mencionei, fui a Bilbao na ocasião da Páscoa. Foi muito interessante poder desfrutar das festivas comemorações católicas da cidade. Eu nem esperava por tanta celebração, mas acabou sendo extremamente enriquecedor, pois eu nunca havia assistido a procissões na minha vida.

Bem, mas vamos ao que é permanente e não depende da ocasião da sua estadia!

Visite o Museu Guggenheim

O Museo Guggenheim Bilbao é A ATRAÇÃO da cidade. Não tem como ficar indiferente a ele. Mesmo que você não curta muito Arte Moderna e Contemporânea, e que tenha ido à cidade por outra razão que não seja o turismo.

Suas imensas esculturas do lado de fora e sua estrutura de placas de titânio curvadas em vários pontos são uma visão deslumbrante, ainda que você não planeje visitar a parte interna.

A gigantesca escultura do cachorro Puppy (criação de Jeff Koons), todo feito de flores é a coisa mais fofa…

O projeto para o Museo Guggenheim Bilbao foi parte de um esforço para revitalizar a cidade. Sua construção iniciou-se em 1992 e levou 5 anos para ser concluída. A iniciativa deu muito certo: hoje em dia, Bilbao é uma das cidades mais visitadas da Espanha.

O museu tem apenas uma exposição permanente, chamada “The matter of Time”, do escultor americano Richard Serra. Sem ler a respeito da obra, fica difícil apreciá-la na plenitude. Entretanto, é muito curioso caminhar por ela. Você se sente parte do todo.

As crianças, especialmente, ficam bem entusiasmadas!

Quando eu visitei o museu, dei a sorte tremenda de haver uma exposição temporária da Louise Bourgeois. Eu não a conhecia antes de planejar a viagem, mas já durante a pesquisa, fiquei absolutamente apaixonada pelo seu trabalho!

Tanto que, alguns meses depois da ida a Bilbao, estive em Tóquio e fui até a região de Roppongi só para conferir a escultura gigantesca que há no meio de um centro comercial.

Adoro isso: quanto mais você viaja, mais encontra motivos para ir além…

Bom, mas uma dica que eu deixo aqui é comprar o ingresso on-line no site oficial do museu. Ele é extremamente concorrido e as filas podem ser enormes.

Perca-se pelas ruelas do Casco Viejo

Las Siete Calles (As Sete Ruas) ou Casco Viejo é a parte antiga da cidade. A região é composta de sete ruas paralelas, localizadas no trecho entre a Catedral de Santiago e o Rio Nervión.

E, claro, toda cidade medieval que se preze, tem as ruelas pra gente se encantar… e se perder para achar um monte de pequenos tesouros!

As principais atrações do Casco Viejo são o Mercado de La Ribera, a Plaza Nueva e a Catedral. Aliás, você sabia que Bilbao está em uma das rotas do famoso caminho de Santiago de Compostela? Daí a importância da catedral, conhecida internacionalmente devido à parada dos peregrinos.

Reserve um bom tempo para perambular pelo Casco Viejo, desfrutando das cores e sabores que a região tem a oferecer.

Visite o Mercado de La Ribera

Este local é perfeito para quem quer se empanturrar de tudo quanto é coisa boa, conhecer a culinária basca e comprar produtos fresquinhos.

Pena que a foto não deixa ver os lindos vitrais da fachada…

Há uma imensa variedade de peixes e frutos do mar. Há, também, uma imensa área com mesas e até com pequenos lounges, para que você possa desfrutar das iguarias locais. O difícil é não querer provar de tudo um pouco!

O carro-chefe do mercado são os pintxos, mas você também encontra bocadillos e croquetes, entre outras gostosuras.

Bocadillos de Jamón Serrano… oh, coisa boa!

O ambiente do mercado é super gostoso e informal. Lógico que estive lá mais de uma vez… Hehehe!

Única ressalva: não consegui comprar bacalhau salgado por lá. Porém, há uma peixaria bem em frente à entrada principal que vende postas lindíssimas por um preço bem razoável. Paguei €33,00 por dois quilos de pura formosura!

Desfrute dos bares da Plaza Nueva

Outro lugar fantástico para se sentir como um local e voltar inúmeras vezes. A qualquer hora do dia ou da noite, é possível encontrar deliciosas opções de “comida de boteco”.

Não espere requinte. É pegar o pintxo ou o bocadillo ou a tortilla e comer de pé, mesmo. Se der sorte, pode até pintar um espacinho no balcão.

Se você não conseguir lugar pra se ajeitar, vai achar um barato do mesmo jeito. O duro é equilibrar o quitute e a cerveja ao mesmo tempo! Mesmo assim, você vai curtir… e repetir o malabarismo!

Experimente o máximo de pintxos que puder!

Vamos lá, estou falando pra você comer os pintxos e não parei para dizer o que são. Os pintxos são feitos com rodelas largas de pão (baguetes, no geral) e cobertos por vários tipos de alimentos.

Os pintxos estão para a culinária espanhola como as bruschettas estão para a culinária italiana. A diferença é que as bruschettas, geralmente, são feitas à base de tomates picados e os pintxos podem ter vários toppings diferentes. Especialmente peixes, frutos do mar e presuntos (como o Jamón Serrano).

Além disso, as bruschettas costumam vir com o pão torrado. E os pintxos vêm com o pão fresco.

Em outras partes da Espanha, como Madri , por exemplo, você também pode encontrar os pinchos (fala-se da mesma maneira, só a escrita é diferente).

Agora, os pintxos também podem vir no palito. Neste caso, eles vêm grudadinhos e sem o pão. Qualquer que seja o formato, eles vão agradar! Será impossível comer um só!

Tome um kalimotxo, a bebida típica da cidade

O Kalimotxo (ou Calimocho) é uma bebida feita à base de vinho tinto e Coca-Cola (em partes quase iguais) e gelo. Para um dia de verão é bem refrescante!

Olha o Kalimotxo aí… simples e básico, mas interessante!

Como eu não gosto muito de Coca-Cola e prefiro o vinho por si só, tomei só um Kalimotxo para experimentar e voltei pra cerveja, que caiu deliciosa àquela hora do dia. Ainda mais, acompanhada de uma iguaria que citarei mais adiante (achado da viagem!!!).

Caminhe pela Gran Vía

Gran Vía de Don Diego López de Haro ou, simplesmente, Gran Vía, é uma extensa avenida repleta de lojas famosas para todos os gostos e bolsos. É uma ótima opção não só para compras, mas para conferir as muitas nuances da arquitetura do centro da cidade.

Mergulhe na cultura local: exercite-se às margens do rio Nervión

O rio Nervión corta a cidade em duas partes: a antiga e a moderna.

Suas margens foram transformadas em extensas áreas de lazer para a população. Especialmente durante os  finais de semana, há uma grande movimentação de pessoas, praticando esportes ou simplesmente caminhando.

Além disso, é às margens do rio que se pode encontrar algumas opções de minicruzeiros pela cidade.

Uma das embarcações passando sob a famosa Ponte Zubizuri, projeto de Santiago Calatrava.

Atravesse a ponte Zubizuri

Puente Peatonal del Campo de Volantín, ou Zubizuri (“ponte branca”, em basco), também conhecida como ponte de Calatrava, é projeto do mesmo arquiteto responsável pela design do Museu do Amanhãno Rio de Janeiro

Sua estrutura é toda pintada de branco, como é comum nas obras do famoso arquiteto espanhol.

A ponte recebeu muitas críticas, pelo fato de sua superfície de cristal ficar super escorregadia com a umidade típica do clima da região. Além disso, devido à sua altura com relação ao nível das águas do rio Nervión. Polêmicas à parte, é uma estrutura interessante e vale a pena atravessá-la.

Aprecie a cidade do alto (Funicular de Artxanda)

Bem, se você tiver tempo sobrando e for do tipo que gosta de ver a cidade do alto, pode ser que goste ir ao topo do Monte Artxanda. Eu, particularmente, achei o passeio fraquinho. Meu marido detestou ter ido até lá. Achou que foi pura perda de tempo. Não permanecemos lá no topo nem meia hora.

Ainda assim, foi uma atividade barata. O ingresso para pegar o Funicular de Artxanda custou menos de €1,00 por pessoa (valores de 2016).

O acesso para o Funicular fica às margens do rio Nervión. Então, pode ser uma boa desculpa para uma caminhada.

Se você estiver com crianças, talvez seja um passeio interessante. Afinal, eles adoram um “trenzinho”! O percurso, entretanto, dura menos de 5 minutos…

Informações práticas para organizar sua viagem a Bilbao

Como chegar a Bilbao?

Optei por voar até Bilbao, pois saí de Amsterdã. Voei com a minha parceira KLM e o trecho entre as cidades durou apenas duas horas. Entretanto, para quem já está na Espanha, ou no Sul da França, por exemplo, chegar até lá de carro pode ser uma ótima opção.

Como chegar do aeroporto de Bilbao ao centro da cidade?

O deslocamento entre o aeroporto de Bilbao e o centro da cidade é super descomplicado e barato. O aeroporto é pequeno, organizado e de muito fácil locomoção.

Assim que você sair da área de desembarque, procure pelo balcão de informações. Já aproveite e pegue o mapa da cidade. Daí é só se dirigir à saída, que o ponto de ônibus estará logo em frente, à sua direita.

A passagem pode ser paga diretamente ao motorista. Quando lá estive (março de 2016), o valor unitário era de €1,45. É bom você ter dinheiro trocado.

O aeroporto é relativamente perto das atrações e do centro da cidade. O museu Guggenheim, por exemplo, a 12 quilômetros de distância, fica bem próximo à primeira parada do ônibus (Alameda Recalde, 11). Você já o reconhece de longe e já se prepara para descer, se for o caso.

Onde se hospedar em Bilbao?

Escolhi o NH Deusto para a nossa hospedagem. Eu tenho uma tendência a optar por hotéis de grandes redes, pois já sei que tipo de acomodação encontrarei por categoria. Não há surpresas. Especialmente, as desagradáveis!

Gostei do hotel, que atendeu às minhas expectativas. Entretanto, para quem quer ficar próximo ao Casco Viejo, a parte histórica da cidade, talvez não seja uma boa opção.

Ele está localizado a uma curta distância do museu Guggenheim (cerca de 850m) e em uma área extremamente agradável, próxima ao rio Nervión.

Entretanto, para ir ao Casco Viejo é preciso pegar um tram ou metrô. Eu fiz o percurso a pé, durante o dia.

No caminho, há o Parque Doña Cacilda, que é um convite a uns  momentos de paz e tranquilidade.

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Onde comer em Bilbao?

Não optei pelo café da manhã do hotel porque achei caro (15 euros por pessoa por dia). Contudo, há várias opções na região do museu e acabou sendo bem mais gostoso experimentar lugares diferentes a cada dia.

Nostrum

O Nostrum foi uma excelente pedida para um café da manhã e refeições rápidas. Tudo preparado com ingredientes orgânicos, produtos fresquinhos e preço fantástico.

Nostrum Bilbao – Calle Iparraguire, 1.

Um café da manhã caprichado para dois, saiu por menos de €11,00. Existem outras unidades em Bilbao e outras cidades da Espanha. 

Amorino

A rede Amorino está presente em várias cidades da Europa. Todo vez que eu encontro uma unidade, paro pra bater cartão. Se estiver um dia quente, vou de waffle com sorvete. Se estiver fazendo aquela friaca lá fora, é um lugar perfeito para um chocolate quente dos deuses. 

Amorino – Calle Iparraguire, 1.

Foi em Milão que caí de amores pela Amorino… daí em diante, carimbei o passaporte em Bordeaux, La Valetta… a lista é grande!

A unidade Bilbao Guggenheim fica praticamente em frente ao fofo Puppy, o cachorro de flores do museu Guggenheim. Não tem como errar: nem no percurso, nem no pedido!

Cervecería Los 100 Montaditos

Este é um nome recorrente nos meus posts sobre a Espanha. Não tem como deixá-lo de fora! As unidades desta rede são perfeitas para quem só quer repor as energias e continuar perambulando pela cidade, que é o que importa durante o dia.

Como o nome sugere, o estabelecimento oferece pelo menos 100 opções de recheios, sem exagero, para seus frescos bocadillos.

Os pães estão sempre fresquinhos, a cerveja está sempre geladinha e você encontra opções a partir de €1,00. Mais barato e gostoso do que isso, não há!

Bar Motrikes

Achei o Bar Motrikes, andando por uma das ruelas do Casco Viejo. O bar poderia ter passado despercebido, por ser tão normal quantos tantos outros. Porém, acabou se tornando o “achado” da viagem e nos proporcionando a melhor experiência gastronômica de Bilbao!

O diferencial foi um pintxo feito com cogumelos super bem temperados e grelhados na hora, na frente dos fregueses. Fantástico! Eu e meu marido pedimos um cada, só pra experimentar. E fomos repetindo, repetindo… só pra ter certeza de que eram bons, mesmo! Hehehe…

A esta altura, eu já havia trocado o Kalimotxo pelo vinho tinto comum…

O  boteco foi enchendo em questão de minutos. Todo mundo ali tinha cara de “local”. Nós éramos os únicos estranhos no ninho… De novo aquele conceito descolado de pegar o quitute e ir comer feliz na calçada.

Hora de dizer adeus a Bilbao…

Dizem que tudo que é bom dura pouco. E que quando você está se divertindo, o tempo voa… as duas afirmações se aplicam quando se trata de uma cidade tão bacana quanto Bilbao. Adoraria ter desfrutado mais. Faltou muita coisa boa pra ver e fazer, pois não dá para fazer milagre com apenas 3 dias.

E, apesar de o post ter ficado longo, faltou bastante coisa pra contar, também. Então, qualquer coisa que você tiver curiosidade, é só deixar um recado aqui…

Referências

https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Serra

https://www.sfmoma.org/exhibition/louise-bourgeois-spiders/

https://www.guggenheim-bilbao.eus/en/works/puppy-3/

https://en.wikipedia.org/wiki/Casco_Viejo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Zubizuri

Categorias: Espanha

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