Sem Comentários

O Museu do Amanhã, localizado no centro do Rio de Janeiro é mais do que um exemplo de arquitetura interessante e inovadora. Ele é um espaço interativo que convida você a desvendar o planeta Terra e suas múltiplas facetas em uma experiência totalmente sensorial. De uma maneira prazerosa e leve, também leva você a refletir sobre a sua contribuição no mundo de ontem, de hoje e de amanhã.

Em 2015, quando eu ainda estava morando na Holanda, acompanhei pelos noticiários a expectativa dos cariocas e dos turistas com relação à inauguração do Museu do Amanhã. Na época das Olimpíadas, eu fiquei maluca de ver o povo posando pra mil e uma fotos… e eu lá longe, sem poder fazer o mesmo!

Finalmente, há bem pouco tempo, consegui ir até lá pra conferir de perto aquele monumento inusitado que até então eu só conhecia  pela TV e publicações das mídias sociais. Um grupo de amigos veio me visitar e sugeri que fôssemos conhecer o local. Só ficamos do lado de fora, mas já foi bem legal!

Semana passada voltei lá para conferir o lado de dentro. E descobri que a experiência só pode ser completa se for assim. E vou contar tudinho pra você não perder a chance de conferir este museu que me deixou cheia de orgulho de ser carioca (ainda que agregada!).

Museu do Amanhã: um novo conceito

Mais do que um centro interativo voltado à informação científica, a proposta do Museu do Amanhã é despertar a consciência do visitante para as questões de sustentabilidade da vida e da convivência pacífica entre os seres humanos.

Do projeto desenvolvido pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava até a entrega para o público, foram 7 anos de trabalho. O Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho em parceria com o grupo Santander.

Inaugurado em dezembro de 2015 e localizado na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, o museu não só veio para revitalizar a área portuária, mas para servir de referência cultural e de entretenimento para moradores e visitantes.

Exposição Permanente do Museu do Amanhã

Basicamente, a exposição permanente é dividida em 5 partes: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhã e Nós. Cada uma delas com uma proposta completamente diferente, mas que complementa as demais.

Para a experiência ser a mais rica possível, o ideal é seguir a sequência das instalações. Assim, você tem uma visão geral do museu. Depois, você pode livremente ir voltando para conferir com mais detalhes algo que tenha ficado pelo caminho. O museu é relativamente pequeno e a exposição permanente ocupa um único andar.

O museu também conta com exposições temporárias. Porém, como meu objetivo nesta visita era me dedicar a conhecer com detalhes a exposição permanente, resolvi não conferi o que havia de itinerante.

Cosmos: as boas-vindas aos visitantes!

Esta é a única parte do museu que você não tem como pular… e nem deve! Toda a visitação começa a partir deste ponto. Dentro de um domo, você vai se acomodar da maneira que achar melhor. Inclusive, escolhendo uma almofada confortável para se jogar no chão e ter uma visão de 360 graus do que irá acontecer.

Em uma projeção com tecnologia de última geração, a primeira experiência do Museu do Amanhã vai ser levar você a pensar sobre sua existência: Como chegamos até aqui?

Você terá uma experiencial altamente sensorial. Prepare-se para percorrer galáxias e testemunhar a formação do nosso planeta. Durante os oito minutos de projeção, você já terá uma ideia do que irá encontrar no restante do museu. O site oficial disponibiliza a transcrição do áudio, caso você queira chegar lá já sabendo o que esperar.

Fiquei bastante impressionada com a altíssima qualidade desse abre-alas do museu. Lembrei muito de uma exposição sensorial sobre as obras de Van Gogh que visitei em Roma , no ano passado.

Terra

Assim que você sair do domo, já estará no espaço que se destina à segunda parte da exposição. A partir deste ponto, você já pode visitar livremente e de acordo com o seu ritmo.

Nesta área ampla, você encontrará 3 cubos de 7 metros de altura cada, que apresentam respostas para a seguinte pergunta: Quem somos?

Cubo da Matéria com a visão unificada da Terra

Os cubos são extremamente interessantes. Tanto do lado de fora, quanto do lado de dentro. E cada um tem uma proposta diferente para as três vertentes: matéria, vida e pensamento.

Cubo da Vida: Ecossistemas

Antropoceno: o momento central da exposição

O Antropoceno está exatamente no meio da exposição. Tanto com relação à localização (bem no centro do percurso), quanto pela parte conceitual. É nesta hora que o visitante é convidado a refletir sobre o seu lugar neste imenso planeta. A pergunta a ser explorada nessa parte da exposição é: Onde estamos? E o tempo é Hoje”.

Seis totens com 10 metros de altura “cercam” você, que pode estar a essa hora, relaxando confortavelmente em um grande sofá. Neles, você receberá imagens audiovisuais sobre os impactos que as ações do Homem sobre fenômenos climáticos do planeta Terra.

Nesta área, você encontrará variadas atividades interativas. E poderá, inclusive, fazer um teste para saber que tipo de ser humano você é. Saca só o que deu no meu resultado. Aí eu te pergunto: será que tá certo?! Hehehe…

Nós

Confesso que fiquei particularmente encantada com essa parte da exposição. Achei de uma profunda delicadeza a instalação. Primeiro, pela parte conceitual: em um museu altamente interativo, cheio de recursos de última tecnologia digital, encontrar um ambiente com pouca luz e menos estímulos visuais, foi muito relaxante.

A estrutura em madeira chamou minha atenção de imediato: uma verdadeira obra de arte! Eu, que não sabia absolutamente nada da proposta da instalação, resolvi sentar e apreciar a beleza de suas formas. Só isso, sem tentar entender nada…

O objeto bem no centro, despertou minha curiosidade. Não sabia o que era ou para o que servia, mas harmonizava tão bem com o restante do ambiente, que só me deixei levar pelas sensações.

Meu filho estava comigo e ficou um bom tempo admirando a instalação. Curiosamente, depois ficamos sabendo que a linda base, sobre a qual está apoiado o artefato, foi produzida pela artista carioca Mana Bernardes, que é irmã de um grande amigo dele. Coincidências da vida…

Claro que eu cheguei em casa morta de curiosidade e fui pesquisar o tal artefato de madeira lavrada que se encontra no centro da instalação. Aliás, o único objeto físico do acervo do museu. Chama-se churinga e tem origens aborígenes.

Ele é um utensílio simbólico. Não é uma ferramenta, nem uma arma. É um símbolo que associa passado, presente e futuro. Representa a continuidade do povo e de sua cultura.

E, finalmente, a última parte do museu: o Amanhã

É nessa hora que a gente fica mesmo é de queixo caído! Claro que a gente sabe, antes mesmo de entrar no museu, que o grand finale é a imponente estrutura de vidro que se vê pelo lado de fora. O fato é, que quando se chega lá, depois de tanta informação e reflexão, a prioridade muda.

Deixa de ser apenas apreciar a Baía da Guanabara e o lindo céu azul que eu tive a sorte de pegar no dia em que lá estive. Deixa de ser encontrar o local perfeito para tirar a melhor selfie possível. Deixa de ser admirar o mar e as intervenções feitas pelo Homem.

É nessa hora, que surge a grande pergunta que eu trouxe como dever de casa: qual é o meu papel para que aquele visual lindo fique de herança para as próximas gerações?

Dicas práticas para planejar a sua visita ao Museu do Amanhã

Endereço: Praça Mauá, 1/ Centro – Rio de Janeiro, RJ CEP: 20081-240

Horário de funcionamento: Terça a domingo de 10:00 às 18:00 (última entrada às 17:00).

Como comprar seu ingresso on-line?

Bem, se visitar o Museu do Amanhã é imprescindível para você, eu recomendo comprar o ingresso antecipadamente on-line. Motivo: apenas uma pequena quantidade de ingressos é disponibilizada por hora e na base do “acabou… acabou”.

Observe o tempo de espera pra comprar os ingressos na hora…

Porém, às terças a entrada é totalmente gratuita para todos (moradores ou turistas). Neste caso, só é possível adquirir o ingresso na bilheteria. Não é possível fazer reserva on-line. Todas as condições atualizadas para a venda de ingressos, você poderá encontrar no site oficial do Museu do Amanhã. Incluindo as possibilidades de descontos e gratuidades.

Atenção para alguns detalhes importantes:

Mesmo tendo direito à gratuidade ou desconto, é necessário fazer a transação on-line para gerar o seu ingresso. Outro ponto importante: você deve levar um documento de identificação pessoal (identidade ou passaporte). E, por último, se você usou o benefício de morador do município do Rio de Janeiro (meu caso), tem que levar um comprovante de endereço no seu nome.

Como chegar ao Museu do Amanhã?

A melhor forma de acessar o museu é através de transporte público, pois ele não oferece estacionamento. Além disso, estacionar no centro do Rio de Janeiro é caríssimo ou uma missão quase que impossível.

Apesar disso, se você quiser ir com transporte próprio, poderá encontrar opções de estacionamento pago na Rua Acre (a cerca de duas quadras do museu).

Se você optar pelo transporte público, o mais fácil é ir de VLT (veículo leve sobre trilhos).  O ponto onde você deverá saltar, fica a poucos metros da Praça Mauá (onde está localizado o museu). Algumas linhas de ônibus também atendem à região.

Eu optei pelo metrô, pois acho a maneira mais fácil para o  turista que está na Zona Sul ou na Barra da Tijuca. Neste caso, você deve descer na Estação Uruguaiana.

Procure pela saída da Av. Presidente Vargas. Você vai notar que à sua direita, no final da avenida, estará a Igreja Nossa Senhora da Candelária. Atravesse a rua no sinal em frente à estação e siga pela Rua Uruguaiana. Uma quadra depois, siga pela Rua Acre. Não tem como errar: há placas indicativas. Vá sem medo: a distância é curta (cerca de 900 metros) e o percurso é bastante movimentado.

Atrações nas redondezas do Museu do amanhã

Mesmo que você não queira ou não possa entrar no museu, poderá desfrutar da ampla área em que ele se localiza. Além disso, quase em frente ao Museu do Amanhã, encontra-se o MAR (Museu de Arte do Rio de Janeiro).

E para quem está com crianças, ou gosta deste tipo de entretenimento, há ainda o AquaRio, a pouco mais de um quilômetro, seguindo pela Av. Rodrigues AlvesDe novo, não tem como errar: é a avenida por onde circulam os VLTs.

Se você quiser deixar o AquaRio para outro dia, sem problema. Ainda assim, vale seguir um pouco mais pelo boulevard da Zona Portuária, pois é lá que está localizado o grande painel “Etnias”, pintado pelo artista paulista Eduardo Kobra, cujo trabalho já ganhou o mundo e que ilustra, inclusive, Amsterdã.

O enorme painel de 3000 metros quadrados impressiona! E dá um colorido todo especial ao lugar. Vale muito a pena passar por ele!

Gastronomia local

Há algumas opções de estabelecimentos na região.  Eu optei por ir almoçar no Restaurante Antigamente, que eu já conhecia e que inclusive participou do Concurso Comida di Buteco deste ano.

Foi lá que eu conferi o petisco Porqueta Embriagada. Dessa vez, voltei para conferir os famosos pastéis. Foi muito difícil parar de testar a qualidade deles. Só parei porque tenho juízo!  

Ainda assim, posso dizer que os sabores palmito-gorgonzola-tomate seco, carne seca-requeijão e carne moída (convencional) estavam nota dez. Meu preferido da vez? O simples, mas surpreendente, pastel de carne moída!

Restaurante Antigamente

Endereço: Rua do Ouvidor, 43 Centro (na esquina da Av. Primeiro de Março, ao lado da Igreja dos Militares)

Horário de funcionamento: Segunda: 11:30 às 22:00/Terça a sexta: 11:30 às 23:00/Sábado: 11:30 às 18:00

Curiosidade

Você sabia que o Museu do Amanhã foi inspirado nas formas das bromélias do Jardim Botânico? Olha aí outro lugar maneiro pra você colocar na sua lista!

Fontes de pesquisa:

https://museudoamanha.org.br/pt-br

https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_do_Amanhã

https://en.wikipedia.org/wiki/Santiago_Calatrava

https://en.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Kobra

http://manabernardes.com/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *