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Para os brasileiros em geral, acostumados a passar o Réveillon curtindo a família ou os amigos em pleno verão, de frente pro mar ou pulando as sete ondinhas, a ideia de passar a virada do ano no frio pode soar meio estranha… mas começar o ano novo com os pés na neve, pode ser uma experiência muito gostosa e diferente… 

Conhece aquele ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”? Pois foi assim que me senti com relação a essa ida a Innsbruck. Sei, também, que não deveria falar assim sobre mim mesma… afinal, a propaganda é a alma do negócio e esse comentário, definitivamente, não promove meu trabalho. Mas o fato é que gosto de ser sincera. E essa ocasião foi uma tremenda exceção na minha vida toda pro-gra-ma-di-nha.

A ideia da viagem surgiu num jantar descontraído com amigos, assim, de última hora e durante uma época já, normalmente, atribulada: o Natal. Fiquei na doideira com os preparativos para ir para o Brasil, aliada a várias saídas para conferir mercados de Natal para o blog…

Durante a semana que passei no Brasil, nem pensar em ficar surfando pela Internet!  Resumo da situação: cheguei  à Holanda na tarde do dia 30 e no dia 31 às 5:00 da manhã já estava a caminho do aeroporto de Amsterdã de novo. Ufa! Turista FullTime non-stop mesmo!

Durante o voo de 1h20min que separa as duas cidades, caiu a ficha: como fazer para aproveitar, ao máximo, uma viagem que incluía comemoração de ano novo, esqui e acervo cultural? Detalhe: sem nem ao menos saber onde esquiar, o que ver e aonde ir? Muita informação pendente e um risco enorme de dar tudo errado… não recomendo!

Ainda assim, por sorte ou uma certa dose de experiência, quase tudo deu muito certo. O que não deu, foi por motivos alheios à falta de preparação e que poderiam ter acontecido com qualquer um…

Enfim, um post sobre uma cidade deve atender à premissa de dar boas dicas e evitar problemas. Nesse sentido, tenho certeza de que este aqui atenderá ao propósito. Então, vamos lá:

Um pouquinho do que é Innsbruck

Innsbruck é uma pacata cidade austríaca, conhecida internacionalmente como uma ótima opção para esportes de inverno. Ali, também encontram-se várias universidades, incluindo as famosas University of Innsbruck e Innsbruck Medical University. Além disso, é o grande  centro comercial e cultural do oeste da Áustria.

Está belissimamente localizada no vale Inn, bem no meio do caminho entre Munique e Verona. Isso explica – e muito – a quantidade de italianos passeando por lá, assim como o fato de eu ter notado tantos locais fluentes no idioma, apesar de a língua nativa ser o Alemão. Não raro, os cardápios dos restaurantes estavam em três idiomas, incluindo o Inglês.

E por falar em Inn… aqui vai a explicação do nome da cidade: brücke significa “ponte” em Alemão. Inn é o nome do vale em que ela está localizada. Daí que a junção das palavras Inn + brücke originou Innsbruck. Interessante, né?!

 Planejando uma ida para Innsbruck

Para brasileiros, não é necessário visto de turismo para visitar a Áustria. Basta ter um passaporte válido. A moeda, assim como em vários outros países da União Europeia, é o Euro. A língua oficial é o Alemão, mas em todos os lugares em que estive, encontrei pessoas falando Inglês fluente.

Innsbruck possui um pequeno aeroporto que recebe voos de várias companhias aéreas conhecidas, incluindo Transavia, Ryanair e Easyjet. Além disso, há uma estação de trem central que a conecta com várias outras cidades conhecidas, como Salzburg, Viena , Budapeste e Zurique, só para citar algumas.

O aeroporto internacional mais próximo é o de Munique (Alemanha) e é possível pegar um trem para chegar até lá. Interessante: você viaja com a  ICE,  a mesma companhia que usei para ir de Amsterdã à Colônia. Há saídas várias vezes ao dia e o percurso dura cerca de 2 horas.

Como chegar do aeroporto ao centro de Innsbruck?

O aeroporto é super compacto e pertíssimo do centro – a menos de 5km da Estação Central. É possível chegar ao centro tanto de trem quanto de ônibus. Achei muito fácil ir de ônibus: você paga €2,70 (valores de janeiro/2016) e o trajeto dura cerca de 20 minutos. O tíquete pode ser comprado direto com o motorista.

Se você optar pelo táxi, o custo pode ficar em torno de €15,00 para a mesma distância. Cuidado com os “espertinhos”: meus amigos pegaram um taxista que lhes cobrou tarifa normal e eles pagaram €13,00 pelo percurso. Fiquei na mesma região e paguei €20,00.

Pisada na bola: não perguntei antes (como sempre faço!) e na hora de pagar, o taxista disse que a tarifa tinha preço fechado. Mentira deslavada e golpe no turista… coisa feia: péssimo cartão de visitas para a cidade, mas muito comum se o passageiro está desavisado ou distraído, como foi o meu caso… Pior de tudo: o ônibus para o centro estava parado na frente do aeroporto e, na muvuca da chegada em grupo, não vi. Fico muito brava quando isso acontece: saber que fui passada pra trás!…

Onde se hospedar em Innsbruck?

Como eu já havia mencionado: viagem de última hora, planejada na doideira. Quando fui reservar o hotel, 92% das acomodações já estavam ocupadas. O jeito foi escolher, dentre o que havia, o mais barato e perto dos amigos possível. Tarefa difícil… a cidade, pelo menos nessa época do ano, é cara para hospedagem. Então. Se você pretende ficar por lá, aproveite e faça já a sua reserva por aqui. Mais barato, fácil, seguro e ainda dá aquela força pro blog!
Beleza, mas voltando à dica de hospedagem…

Eu fiquei no hotel Goldene Krone, perto da Estação central e de tudo no centro. A acomodação, apesar de modesta, era limpa , organizada e fornecia todos os itens de conforto. O hotel tinha cara de negócio de família: discreto, sossegado, com bom café da manhã (incluído na diária) e ótimas opções de restaurantes e bares nas redondezas. Havia, inclusive, um Vapiano bem em frente.

Se você quer requinte, talvez não seja a melhor opção. Ainda assim, saí satisfeita com o atendimento e, por se tratar de altíssima temporada, achei que a relação  custo/benefício foi adequada.

 Onde comer em Innsbruck?

Posso dizer que tudo o que comi por lá, sendo na rua ou em restaurantes, estava muito bom. O povo lá sabe como cozinhar… e os preços são ótimos, também! Para a noite de ano novo, minha amiga havia reservado o Happ Weinhaus. Com um menu fechado a €67,90 por pessoa (excluindo bebidas) , foi uma ótima opção: pratos bem elaborados e um ambiente muito charmoso. Ficamos em uma saleta exclusiva, onde parecia que estávamos ceando no aconchego da casa de alguém e com direito a mordomo… Très chic!

Estivemos também no Stiftskeller, um restaurante de comida tradicional austríaca, com opções deliciosas e baratésimas! Ambiente amplo, festivo, jovem. Aprovado por todos do grupo!

Além disso, eu e meu marido jantamos no Ottoburg, um restaurante antigo com cara de “sala da fazenda”, super concorrido e com uma refeição farta e deliciosa. Bom fazer reserva!

E, lógico, que não pode faltar a tradicional torta de chocolate austríaca: a Sacher Tart. Melhor lugar: Café Sacher, bem na saída do palácio Hofburg, que, infelizmente, não consegui visitar…

Para o almoço, uma boa pedida é o Goldenes Dachl, bem ao lado do famoso Golden Roof (Telhado Dourado). Bom atendimento e preço justo.

Ah, e as comidinhas de rua?! Capítulo à parte nas ruas austríacas… pão com bratwurst (a linguiça defumada), pão com queijo e bacon… imagine você salivando, enquanto espera seu sanduba de Raclette ser preparado!… é de comer com os olhos!

E o que fazer por lá?

Bem, as opções são muitas, variando de acordo com o gosto, o bolso e a época do ano. No inverno e para quem gosta de esquiar, a melhor pedida são as estações de esqui. Há nove opções na região, todas servidas por um sistema de transporte gratuito e para esquiadores de todos os níveis.

A Nordkette é a mais próxima de todas. Inclusive, eu já pensava em esquiar em Innsbruck há algum tempo por conta dessa facilidade. Tinha sabido por amigos que era possível acessá-la por teleférico a partir do centro da cidade. Que bom que não cheguei a programar a viagem pensando nisso! É possível esquiar lá, sim. Mas as pistas são todas para feras no assunto. Se esse é seu caso, é a combinação perfeita entre asfalto e pista!

Estive na estação Muttereralm, considerada muito boa para quem vai com crianças, apesar de ter pistas para níveis mais avançados. Perto do centro de Innsbruck – menos de 10km tomando-se como referência a Estação Central – com boa estrutura de restaurante, excelente Wi-Fi e ótimo complexo de ski infantil. Facilmente acessível de carro, com amplo estacionamento. Custo do ski-pass: €33,00 (valores de 2016).

Como eu torci meu joelho em uma queda, fiquei de fora da diversão do dia seguinte. Meu marido e meus amigos, contudo, foram esquiar na estação Stubai Gletscher. Mais distante, com ski-pass mais caro, porém com mais opções de pistas para todos os níveis. Boa estrutura de restaurantes e Wi-Fi grátis, apesar de não ter uma boa cobertura.

Apesar do preço do ski-pass (€46,00) e da distância (cerca de 40km do centro de Innsbruck), agradou mais ao pessoal. Infelizmente não posso opinar, mas confio na opinião do meu marido, que já esteve em várias estações de esqui aqui na Europa e na América do Sul.​
Aqui vai um pouquinho do que eu perdi…

Parece ser um lugar encantador, ainda que você não queira esquiar…

O que há em Innsbruck além das estações de esqui?

As opções são as mais variadas. Você pode adquirir um Innsbruck Card e usufruir de várias atrações e benefícios. Achei bem conveniente, pois com o valor que eu pagaria em uma única atração, consegui visitar duas das mais interessantes. Isso porque eu estava com problema de locomoção causado pelo pequeno acidente esquiando…

Eu peguei um cartão válido por 24 horas, pois tinha pouco tempo disponível. Se você tiver chance, pague por 48 ou 72 horas. O preço fica mais convidativo e você poderá visitar muito mais coisas.

Eu visitei o Swarovski Kristallwelten, a cerca de 20km do centro de Innsbruck. Basicamente, é um grande museu de arte moderna toda feita usando-se os famosos cristais. Há um grande playground indoor para crianças, uma área externa interessante, um restaurante e uma grande loja com os produtos da marca.

Honestamente, só recomendo o passeio para quem é muito fã do assunto ou para quem tem muito tempo disponível. Motivo: há poucas opções de horário de ida e volta com o shuttle. Há duas opções de ponto de embarque para lá: em frente à Estação Central e em frente ao Congress (o mesmo ponto onde se pega o teleférico para o Nordkette).

Você leva cerca de meia hora no deslocamento. Depois, para voltar ao centro, há poucas opções de horário. Trocando em miúdos: ou você visita tudo correndo para pegar o próximo shuttle, ou tem que ficar por lá de duas a três horas para poder voltar.

Resumo da ópera: achei caro o tíquete de €19,00 só para entrar, mais os €9,50 pelo shuttle para o que é oferecido. Não fiquei no prejuízo porque a visita estava incluída na lista de atrações do Innsbruck Card, mas acho um passeio bem caro para quem não adquiriu o cartão.

Agora, um passeio bem legal é pegar o teleférico do Nordkette. Aí vai um macete: se você quiser ir até o topo da montanha e descer na última estação (Hafelekar), pagará €32,00 pelo tíquete. Se adquirir o Innsbruck Card (24 horas= €33,00), tem direito a uma ida/volta no transporte. Super vantagem, né? Se usar só pra isso, já está valendo… mas você pode combinar com outro passeio, como eu fiz. Daí, já sai ganhando.

O teleférico você pega na parada Congress Innsbruck. Na parada Alpenzoo, como o nome já diz, você pode visitar gratuitamente o zoológico, se tiver adquirido o Innsbruck Card. Não o fiz por falta de tempo, mas parece ser uma boa opção para quem vai com crianças.

Há mais três paradas: Hungerburg (onde você tem que descer e fazer a conexão para as duas próximas), a Seegrube e a Hafelekar, que é tão alta que para chegar até lá, você percorre uns bons minutos no meio das nuvens. Impressionante: não dá pra ver absolutamente nada do lado de fora do teleférico… E você passa a ter pensamentos filosóficos acerca da fragilidade do ser humano… Experiência marcante!​

Primeira parada: Hungerburg

Como falei antes, os pontos altos dessa montanha são os paraísos dos esquiadores mais valentes mas, mesmo não sendo o nosso caso, vale e muito a visita. A vista do alto é de tirar o fôlego!

Vista do topo da montanha: Hafelekar

Eu confesso que adoraria ter conseguido ficar, pelo menos, mais um dia por lá. Apesar de ter aproveitado o máximo que a curta temporada com motivos variados me permitiu, senti muita falta da parte cultural.

Quem me conhece bem, sabe o quanto eu curto um museu, uma casinha velha… mas o viajante tem que estar sempre preparado para abrir mão de alguma coisa. O importante é voltar para casa com aquele gostinho de quero mais… sinal de que foi bom enquanto durou…

O mais gostoso dessa viagem foi passar o Réveillon cercada de amigos, em um ambiente descontraído e festivo! Voltaria a Innsbruck? Com certeza! Com o mesmo grupo? Pode apostar que sim!

Ah… e quer saber como é uma queima de fogos por lá?

2 thoughts on “Innsbruck: um Réveillon no Frio Austríaco”

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