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Uma perambulada pelo centro de Haia, é como uma viagem no tempo. Às vezes, você nem imagina, meio deslumbrado, meio desatento, que está passando por  lugares de uma importância histórica surpreendente.  Há um deles, bem na frente do Parlamento holandês que mais parece um pórtico. Ele pode até passar despercebido, pois a imponência de seu vizinho atrai todos os olhares, porém… essa pequena passagem coberta, tem muita história interessante para contar…

Vamos voltar ao ano de 1280…

Havia um castelo, que pertencia aos condes da Holanda e que funcionava como uma importante sede do poder na época.

Esse castelo era protegido por dois fossos e para chegar até a ele, era necessário atravessar uma ponte e cruzar um portão.

No ano de 1428, essa pequena passagem era chamada Gevangenpoort . E naquela época era conhecida, também como o “Portão de entrada para a Corte”. Com o tempo, a estrutura da entrada foi transformada em uma prisão.

Era para esse local que eram trazidas as pessoas acusadas de algum delito, que poderia ser qualquer coisa: desde não pagar os tributos até o assassinato de alguém. Até mesmo uma briga de bar ou uma acusação feita por alguém importante poderia ser o motivo.

Muito bem, os anos se passaram. Um século mais tarde, o local foi ampliado para poder comportar mais celas e, também, um tribunal. Os suspeitos ficavam ali, encarcerados em celas escuras e geladas, enquanto aguardavam o julgamento e a punição.

O local funcionou como prisão por 400 anos e, em 1828, foi desocupado. Nos anos que se seguiram, sobreviveu à proposta de ser demolido, graças aos esforços de algumas autoridades responsáveis pela conservação do patrimônio histórico.

Foi, então, transformado em um museu e aberto ao público no ano de 1883 e até hoje, mais de um século depois, ainda é um importante ponto turístico da cidade.

Como chegar?

Para o turista que vem passar um dia em Haia e chega de trem, a melhor maneira de ir até lá é caminhando, pois é uma boa maneira para ir conhecendo um pouco do centro da cidade. O Gevangenpoort fica bem em frente ao Buitenhof, do outro lado da rua. Não tem como errar. Fica ao lado de uma grande praça, repleta de boas opções de bares e restaurantes. É uma área muito bonita.​

Como visitar?

Para visitar o museu, é necessário adquirir uma visita guiada. Há um tour por hora (em Holandês), com o primeiro variando de acordo com os dias da semana. Aos domingos, há uma opção de tour guiado em Inglês (sempre às 14:15).

Uma dica que eu daria é chegar com antecedência e comprar o ingresso antes de ir percorrer os arredores ou visitar o Binnenhof. Assim, evita-se perder a viagem. No dia em que eu fui, o grupo estava completo . Talvez para a visita em Holandês seja mais tranquilo, mas em Inglês vai ser mais concorrido. Havia turistas de vários lugares e faixas etárias.

Dicas práticas:

      O museu fica aberto de terça a domingo. Não abre às segundas-feiras.]

      De 3ª a 6ª – 10:00 às 17:00

  • Sábados e domingos – 12:00 às 17:00
  • Primeiro tour guiado de 3ª a 6ª – 10:45 (último às 16:45)
  • Primeiro tour guiado aos sábados e domingos – – 12:45 (último às 16:45)
  • Tour em inglês – somente aos domingos (sempre às 14:15
  • O museu tem entrada compartilhada com a Galeria Prince William V. É possível visitar os dois com um pequeno desconto, comprando o ticket combinado.

Ingresso

Adultos
Crianças até 12 anos
Museumkaart

Gevangenpoort

€7,50
€5,50
grátis

Ingresso combinado

€10,00
€7,00
grátis

Outro detalhe da visita: não é possível entrar na parte histórica com mochilas ou bolsas maiores do que uma folha de papel A4. Há uma sessão de lockers, onde se pode guardá-las. Se estiverem cheios (como aconteceu no dia em que eu fui), o segurança que fica na recepção fica responsável por guardá-las. Não se preocupe: você recebe um número de identificação para recuperá-la depois da visita.

A visita guiada

Os 30 minutos da visita guiada pagam o ingresso desde o momento das boas-vindas. Não sei se é sempre a mesma pessoa quem faz, mas o senhor que nos guiou era extremamente simpático e brincalhão. Desde o começo, envolveu a todos, agindo como se cada participante fosse um prisioneiro a ser encarcerado. Percorreu cada lugar, explicando minuciosamente como as coisas aconteciam, sempre interagindo com os visitantes.

Ficar “presa” na sala onde cabiam até 20 pessoas (em um grupo com a mesma quantidade de visitantes) fez-me imaginar como teriam sido os dias dos que ficaram por ali, a pão e água (suja), sem aquecimento ou iluminação. Não deve ter sido nada fácil…

Outra coisa interessante, foi visitar a cela para presos “importantes”; aqueles que poderiam pagar o equivalente a 20 mil euros por dia para ter privacidade, uma cama confortável e refeições à escolha e servidas na hora certa, regadas a vinho, cerveja e água (limpa)… muito parecido com o regime do qual alguns presos podem se favorecer no nosso país… ops! Não me contive! Este é um blog de viagens…

 Agora, o ponto alto da visita é a sala onde estão expostos os objetos usados para torturar os presos…

As ferramentas de tortura

Não devia ser nada fácil ficar deitado ali…

Há, ainda, uma sala da tortura, no subsolo do prédio. Um detalhe surpreendente: naquela época, parte das paredes próximas à “cama de tortura” foi revestida por azulejos (aqueles típicos, com pinturas branca e azul). Você deve imaginar o porquê, né?!
Bem, terminada a visita, há uma pequena ala, mais moderna, que você pode percorrer por sua conta e pelo tempo que quiser. Você pode, também, aproveitar a oportunidade e visitar a Galeria Prince William V, da qual falarei em outra ocasião.
Aí eu convido você a seguir um roteiro que fiz, abrangendo alguns dos principais pontos turísticos do centro e arredores para que você conheça um pouco do que a linda cidade tem a oferecer. Opções não faltam… Bom passeio!

Categorias: Holanda

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